Baz Ratner/Reuters
Baz Ratner/Reuters

Ultraortodoxos em Israel protestam contra integração escolar

Pais não queriam que suas filhas estudassem com meninas de origem árabe

AP

17 de junho de 2010 | 11h52

JERUSALÉM - Dezenas de milhares de judeus ortodoxos realizaram manifestações nesta quinta-feira, 17, em protesto por uma decisão da Suprema Corte que obriga a uma escola para meninas à integração religiosa.

 

Os manifestantes paralisaram o tráfego em Jerusalém e outro grande enclave religioso ocuparam praças e agitaram cartazes que deploravam a decisão e proclamavam a supremacia da lei religiosa. Não foram denunciados quaisquer atos de violência.

 

Israel enfrenta há anos uma ampla gama de problemas sociais que incluem a discriminação dentro da comunidade judaica, o peso desproporcional da minoria ultraortodoxa e o estado precário do sistema educativo.

 

No assentamento cisjordano de Emanuel, os pais de origem europeia, ou ashkenazi, não querem que suas filhas estudem com meninas de origem sefardi, oriundas do Oriente Médio e do norte da África.

 

Os pais ashkenazi rechaçam a acusação de racismo, mas querem manter a segregação, ao sustentar que as famílias sefardis não são suficientemente religiosas.

 

A Corte Suprema rechaçou o argumento e disse aos pais que a escola deve ser integrada. Decidiu que os pais das 43 famílias que rechaçaram a integração proibindo a ida de suas filhas à escola devem ir para a prisão por duas semanas.

 

A polícia disse que 50.000 pessoas se manifestaram no centro de Jerusalém em apoio aos pais ashkenazi e outras 20.000 o fizeram em Bnei Brak, no centro do país.

 

Quase todos os manifestantes portavam longas barbas e indumentárias negras típicas dos judeus ultraortodoxos. "Corte Suprema fascista", rezava um cardeal. Ou dizia, "Os presos de Emanuel são os mensageiros do povo judeu."

 

Os líderes religiosos sefardins não criticaram publicamente as manifestações nem a conduta dos pais, talvez por temer uma briga com a comunidade religiosa.

 

"Este é um exemplo de algo que deveria ser resolvido em um tribunal rabínico", disse Nissim Zeev, legislador do partido sefardi de direita Shas. "É desproporcional e um pouco difícil de entender que o alto tribunal imponha uma pena de prisão para estes pais".

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