Um ano depois, Olmert diz que guerra do Líbano foi ´sucesso´

Luta contra Hezbollah deixa Israel ´mais seguro´; Líbano quer reconstrução

Agências internacionais

12 Julho 2007 | 11h56

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, viajou nesta quinta-feira, 12, à fronteira com o Líbano para assinalar o aniversário de um ano da guerra do país contra o Hezbollah, declarando que a bastante criticada campanha militar do país foi um sucesso e deixou Israel mais segura.Olmert reconheceu que o conflito, que durou 34 dias, expôs muitos problemas na capacidade militar de Israel e afirmou que seu governo está tentando consertar "o enfraquecimento" causado pela guerra. O premiê defendeu também que seu país está melhor atualmente que antes do início do conflito, em 12 de julho de 2006."Nós realizamos grandes conquistas nessa guerra", disse Olmert próximo a uma estrada que foi atingida por aproximadamente 4 mil foguetes atirados pela milícia islâmica Hezbollah contra Israel no verão de 2006. O fato que iniciou a guerra, em 12 de julho, foi a captura de dois soldados israelenses pela milícia xiita Hezbollah. Por sua vez, o grupo assegura que Israel já tinha planos para atacar o Líbano como parte de sua estratégia para a região.O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou nesta quinta que a decisão de atacar o Líbano após a captura dos dois soldados foi correta, mas reconheceu a existência de erros durante o conflito. "Havia a necessidade de erradicar de uma vez por todas a ameaça sobre centenas de milhares de pessoas e criar uma nova realidade", disse.A população iraquiana também reconhece as duas falhas principais do conflito. Na primeira delas, o Exército de seu país não obteve sucesso em eliminar o Hezbollah. Na segunda, os dois soldados capturados não foram trazidos de volta.Em abril, uma comissão do governo reconheceu uma "grave falha" na liderança do Olmert na guerra. Seu ímpeto militar quase lhe custou a renúncia. Já o chefe do Exército e o ministro da Defesa na época não escaparam da pressão popular e renunciaram no início do ano.Reconstrução do LíbanoUm ano depois da guerra não-declarada contra Israel, o Líbano ainda realiza sua reconstrução em meio a uma instável situação política e o combate contra os radicais islâmicos no norte do país. A imensa destruição causada no conflito de 2006 ainda causa transtornos em um país que tentava ressurgir após 15 anos de guerra civil, 22 de ocupação israelense no sul e 30 de onipresença síria.Em 14 de agosto, dia em que Israel abandonou o território libanês, o país foi deixado em meio a um cenário de devastação com mais de 1.200 mortos, 5 mil feridos e quase um milhão de refugiados.A reconstrução das casas ocorre de forma lenta e desigual nas áreas do sul, bombardeadas por Israel por mar, ar e terra durante 34 dias ininterruptos, assim como nos bairros da zona sul de Beirute.No entanto, a reconstrução das infra-estruturas avançou de forma mais rápida. Das 91 pontes destruídas, 51 já foram reconstruídas e a rede elétrica foi reparada em grande parte do território, embora de maneira deficiente. Além disso, 791 colégios dos 862 danificados foram reformados, assim como as cinco pistas do aeroporto e dois dos três depósitos de combustíveis destruídos.Com relação ao meio ambiente, a contaminação do mar continua em alguns lugares após o bombardeio israelense dos depósitos de combustíveis da central elétrica de Jieh, perto de Beirute.O solo libanês continua tomado por restos de bombas de fragmentação, lançadas por Israel, sobretudo, nos últimos dias da guerra. "Todos os esforços de reconstrução e tentativas de voltar à normalidade foram obstaculizadas pelo problema das minas de fragmentação, em torno de 1 milhão delas sem explodir, o que complica e impede que as pessoas voltem aos campos e casas", disse odiretor-geral da ajuda humanitária da União Européia, Cyrien Fabre.O Fundo da ONU para a Infância (Unicef) expressou preocupação pelo impacto psicológico da guerra nas crianças libanesas. "A capacidade das crianças libanesas para se recuperar e continuar suas vidas foi seriamente afetada pela contínua ameaça de instabilidade política e pela insegurança no país", segundo oUnicef.A Anistia Internacional denunciou em relatório que nem Israel nem o Líbano iniciaram investigações sobre os crimes de guerra cometidos durante o conflito do ano passado e insiste que a ONU deve se pronunciar a respeito.ResultadosPara o deputado Samir Franjieh, a disputa de 2006 trouxe duas derrotas: "a do Exército israelense, que fracassou em conseguir os objetivos fixados, e a do Hezbollah, que foi obrigado a aceitar a mobilização do Exército e o reforço das Forças da ONU (Finul) no sul".A polarização política mantém o país paralisado desde novembro, quando seis ministros, cinco deles xiitas, renunciaram do gabinete do primeiro-ministro, Fouad Siniora, e exigiram um governo de união nacional.A crise permitiu o acampamento de vigília que o Hezbollah e seus aliados mantêm em pleno centro de Beirute e a paralisia política de um país que aguarda com incertezas a realização de eleições presidenciais, marcadas para setembro.Além disso, o clima favoreceu a proliferação de choques e atentados em diversas partes do país que contribuíram para aumentar a tensão e prolongar a situação desfavorável.Um exemplo é a operação sobre o campo de refugiados palestinos de Nahr al-Bared, onde os milicianos radicais sunitas do grupo Fatah al-Islam permanecem entrincheirados desde 20 de maio. Nesta batalha, pelo menos 190 pessoas morreram no pior episódio de violência interna desde o fim da guerra civil no país, em 1990. Praticamente todos os moradores do campo, que chegou a ter 30 mil habitantes, fugiram. Em discurso por ocasião do aniversário, o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, pediu ao Exército que "ponha um ponto final" no conflito do campo de refugiados de Nahr al-Bared.

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