União Europeia está disposta a adotar ação coletiva a favor de Sakineh

Alta representante Catherine Ashton disse que UE deve mostrar 'rejeição às práticas de outros tempos'

Efe

27 de agosto de 2010 | 16h34

BRUXELAS - A União Europeia (UE) está disposta a empreender uma ação "coletiva" diante do Irã no caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento no país, disse nesta sexta-feira, 27, a alta representante da União Europeia, Catherine Ashton.

A UE deve mostrar "sua rejeição às práticas de outros tempos", acrescentou Catherine em sua resposta por escrito ao pedido por carta feito pelo ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, para enviar "uma carta comum de todos os Estados-membros da União Europeia às autoridades iranianas".

Catherine manifesta a Kouchner que já está em andamento uma gestão discreta da EU diante das autoridades de Teerã, assinalaram à Agência Efe fontes comunitárias conhecedoras do conteúdo da carta.

A alta representante da UE aponta que, se não tiver sucesso na gestão por Sakineh, uma viúva de 43 anos condenada à morte por apedrejamento por adultério, "está perto o momento em que a União Europeia vai se expressar de forma coletiva sobre sua rejeição às práticas de outro tempo".

Entenda o caso

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações ilícitas com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Primeiramente, a pena foi de 99 chibatadas, depois convertida em morte por apedrejamento e, posteriormente, alterada para enforcamento.

Em julho deste ano, seu advogado, Mohammad Mostafaei, tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

O governo brasileiro ofereceu refúgio a Sakineh, o que foi rejeitado por Teerã. A pena de morte foi mantida por um tribunal de apelações, que acrescentou ao caso a acusação de conspiração para a morte do marido.

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