Unidade palestina não é parceira para paz, diz Netanyahu

Premiê israelense, porém, acena para possibilidade de fazer concessões territoriais

Reuters

16 de maio de 2011 | 15h25

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta segunda-feira, 16, que um governo de unidade palestino que inclua o Hamas não poderá ser um parceiro de paz de Israel. Mas no que poderia ser mudança de uma postura arraigada, acenou para a possibilidade de fazer concessões territoriais futuras, caso suas exigências para a paz - que foram rejeitadas pela Autoridade Nacional Palestina (ANP) no passado - forem atendidas.

 

Veja também:

especialInfográfico: As fronteiras da guerra no Oriente Médio

especialLinha do tempo: Idas e vindas das negociações de paz

"Essas concessões, por sinal, são dolorosas, porque significam a terra de nossa pátria. Não é uma terra estranha, é a terra de nossos pais e temos direitos históricos, e não apenas interesses de segurança", ele afirmou.

Netanyahu, falando ao Parlamento antes de se reunir em Washington com o presidente Barack Obama na sexta-feira, disse que o acordo de unidade feito pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, com o Hamas - grupo que prega a destruição de Israel - é uma barreira para a paz . O acordo é apoiado pelo Ocidente. "Um governo composto pela metade por aqueles que declaram diariamente sua intenção de destruir o Estado de Israel não é um parceiro para a paz", disse ele.

O acordo de unidade, que palestinos veem como essencial para resolver divisões antes de uma tentativa de pedir à Organização das Nações Unidas (ONU) o reconhecimento de um Estado palestino, em setembro, prevê a formação de um governo interino e a realização de eleições ainda este ano. Líderes palestinos dizem que essa administração seria composta por independentes e que Abbas lideraria a negociação de paz com Israel.

As negociações de paz apoiadas pelos EUA fracassaram pouco depois de terem sido retomadas em setembro, após Netanyahu recusar-se a estender a moratória parcial da construção de assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada, território capturado por Israel na guerra de 1967 entre árabes e israelenses e que os palestinos querem como parte de seu Estado.

Ao comentar as declarações do premiê israelense, o principal negociador palestino, Saeb Erekat, disse que Netanyahu escolheu a "ordem, e não a negociação" e que foi "o único responsável pelo fracasso no processo de paz".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.