Universidades de Israel proíbem atos contra ofensiva em Gaza

Alunos haviam convocado manifestação para lembrar um ano do ataque israelense que matou 1,4 mil palestinos

Efe,

30 de dezembro de 2009 | 11h14

A Universidade Hebraica de Jerusalém e a de Haifa (norte de Israel) proibiram esta semana a realização em seus recintos de atos de denúncia contra a ofensiva israelense a Gaza realizada há um ano, que causou a morte de cerca de 1,4 mil palestinos.

 

No caso do centro acadêmico de Haifa, era uma manifestação convocada para esta quarta-feira, 30, e cancelada na terça-feira, 29, pela direção, devido ao temor de que fosse "violenta", disse à Agência Efe um de seus porta-vozes, Amir Gilad.

 

"Não queríamos colocar vidas em perigo. Foi uma decisão excepcional. Normalmente, aqui há manifestações pelo menos duas vezes por semana", acrescentou.

 

O protesto tinha sido convocado pelas seções universitárias de três grupos: os árabes Iqra e Balad, e o comunista Hadash, o único partido judaico-árabe de Israel.

 

O ato tinha como objetivo "apoiar" os "irmãos palestinos e levar à Justiça os criminosos de guerra", segundo o texto dos panfletos de Convocação.

 

O líder do Hadash na Universidade de Haifa, Waal Sawaid, acredita que a interdição da manifestação viola o direito à liberdade de expressão e é uma "nova rendição" da direção aos "extremistas da Direita".

 

A central estudantil reconheceu ter "pressionado muito a direção para que revogasse a autorização do protesto", organizada por meio de panfletos "nos quais decisões do Governo eram comparadas a atos de organizações terroristas".

 

Algo semelhante aconteceu na segunda-feira na Universidade Hebraica de Jerusalém, onde uma conferência sobre a ofensiva israelense em Gaza foi cancelada pela direção "apenas cinco horas antes da realização", disse à Efe Yuval Shilo, membro das juventudes de Hadash.

 

O panfleto em árabe do evento chamava a se juntar a uma tarde "em lembrança da horrível e maldita guerra sionista", em alusão à citada Operação.

 

Um estudante do Lavi - grupo filiado ao partido direitista Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - recebeu um dos panfletos e reclamou com a direção sobre o conteúdo, o que acabou motivando a proibição, disse Shilo.

 

Em comunicado, a universidade afirma que "permite a realização de atividades políticas, se estas não violarem a lei israelense ou contradizerem as tradições ou princípios da instituição".

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