Vice-primeiro-ministro admite que Israel negocia com o Hamas

Haim Ramon reconhece que Israel faz negociações, apesar da decisão do governo de não manter contato

Efe,

19 de maio de 2008 | 15h17

O vice-primeiro-ministro israelense, Haim Ramon, reconheceu nesta segunda-feira, 19, que seu país mantém negociações com o Hamas apesar da decisão do governo de não manter contatos com o grupo islâmico até que este não cumpra as condições do Quarteto de Madri, grupo formado pela União Européia, Estados Unidos, ONU e Rússia.   Veja também: França confirma ter mantido contatos com Hamas   "Estamos negociando com o Hamas, apesar da decisão do governo, que declarou que os contatos (com o grupo) só seriam possíveis depois que eles aceitassem as condições do Quarteto", manifestou Ramón nesta segunda, durante uma reunião do grupo parlamentar do partido Kadima, liderado pelo primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.   As exigências do Quarteto de Madri para acabar com o bloqueio ao Hamas, movimento que controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007, são: o reconhecimento do Estado de Israel, dos acordos assinados entre este e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e a renúncia à violência.   O vice-primeiro-ministro criticou, no entanto, que Israel negocie com as milícias armadas palestinas e expressou sua esperança de que o Executivo adote em breve uma decisão para impedir os ataques a partir da Faixa de Gaza, dominada pelo Hamas, contra populações do sul do país, de acordo com os meios de comunicação israelenses.   "O Exército sabe o que fazer. Não estamos combatendo uma organização terrorista, mas uma nação do terror chamada Hamastão", afirmou.   Os comentários de Ramón representam a primeira ocasião na qual um ministro confirma que Israel mantém contatos diretos com o Hamas.   No passado, o ministro israelense de Indústria, Comércio e Trabalho e líder do partido religioso sefardita Shas, Eli Yishai, manifestou sua disposição de se reunir com representantes do Hamas para negociar a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado em junho de 2006 por membros de três milícias palestinas e retido na Faixa de Gaza.   O reconhecimento de Ramón acontece no mesmo dia em que Israel pediu explicações ao governo francês após saber que a nação havia mantido contatos com líderes do Hamas em Gaza.   O ministro francês de Exteriores, Bernard Kouchner, reconheceu nesta segunda à emissora Europe 1 que seu país reatou os "contatos" com o Hamas, embora tenha enfatizado que não se trata de relações nem de negociações.

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