Vice-primeiro-ministro israelense ameaça abandonar Governo

Com a saída de Lieberman, a perda será de 11 dos 78 legisladores que apóiam Olmert

Efe

06 de janeiro de 2008 | 05h33

O vice-primeiro-ministro e ministro para Assuntos Estratégicos israelense, Avigdor Lieberman, da direita ultranacionalista, ameaçou neste domingo deixar a coalizão do Governo liderado pelo chefe do Governo de Israel, Ehud Olmert. Em entrevista à rádio pública, ele afirmou que sairá do Executivo se Olmert, que retomou em dezembro as negociações de paz com os palestinos, se dispusesse a discutir agora os problemas de fundo, como as fronteiras de um futuro Estado palestino, o retorno dos refugiados e a soberania política em Jerusalém. O jornal "Ha'aretz" informa neste domingo que o Governo israelense e a Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Mahmoud Abbas, resolveram criar um fórum especial para debater esses assuntos a fim de resolver o velho conflito entre os dois povos. A decisão, que não foi confirmada oficialmente, seria uma resposta ao "espírito" da Conferência de Paz de Annapolis, realizada no fim de novembro em Maryland, Estados Unidos. Se Lieberman e seu Partido Israel Beiteinu deixassem a coalizão de Olmert, o primeiro-ministro perderia 11 dos 78 legisladores que apóiam o Governo entre os 120 do Parlamento. Além disso, também pode abandonar a coalizão o Partido ultra ortodoxo Shas, com 12 cadeiras nesta Câmara Legislativa. O líder da legenda, Eli Yishai, concorda com Lieberman, ultra secular, em sua oposição a despejar assentamentos judaicos e a um Estado palestino. Neste último caso, Olmert ficaria na coalizão só com os representantes do Partido Trabalhista, e em minoria no Parlamento (Knesset), o que o obrigaria a antecipar as eleições nacionais, adiando indefinidamente o processo de paz. Segundo o periódico de Tel Aviv, esses problemas essenciais do conflito serão negociados em um comitê especial presidido pela ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, e pelo chefe da equipe da ANP, o ex-primeiro-ministro Ahmed Qorei. Estas negociações começarão após a visita que o presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, fará à região a partir de quarta-feira. Ele deve se reunir com Olmert e Abbas, separadamente. Lieberman disse à emissora que conversou com fontes do Governo sobre a informação divulgada pelo "Ha'aretz", mas que sua veracidade não foi confirmada. "Dissemos claramente, de forma verbal e por escrito, e posso dizer em cirílico, em hebraico e em inglês, (se for certo) deixaremos a coalizão", afirmou Lieberman, imigrante oriundo da Moldávia, na extinta União Soviética. O deputado trabalhista Danny Yatom também pediu hoje, por meio da rádio pública, que o líder de seu Partido e ministro da Defesa Ehud Barak abandone a coalizão. Yatom lembrou que Barak prometeu deixar o Governo após ser divulgada a última parte do relatório da "Comissão Winograd", que investigou os erros do Governo de Olmert e das Forças Armadas no confronto contra o Hisbolá no Líbano entre julho e agosto de 2006. O relatório final é aguardado para meados deste mês, e Olmert já anunciou que embora a responsabilidade dos erros recaia sobre ele, não renunciará.

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