Violação de soberania emperra pacto com EUA, diz Iraque

Premiê iraquiano afirma que negociações foram interrompidas por exigências americanas inaceitáveis

WALEED IBRAHIM, REUTERS

13 de junho de 2008 | 10h14

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri Al Maliki, disse nesta sexta-feira, 13, que as negociações para estabelecer com os Estados Unidos um novo pacto de segurança estão paralisadas devido a exigências americanas que violariam a soberania iraquiana. Washington e Bagdá negociam um acordo que dê base jurídica para a permanência das tropas americanas no Iraque a partir de 31 de dezembro, quando expira o mandato da Organização das Nações Unidas (ONU).   "Chegamos a um impasse, porque quando iniciamos as conversas descobrimos que as exigências dos EUA infringem enormemente a soberania do Iraque, e isso nunca podemos aceitar", disse Maliki, em árabe, a jornalistas durante visita à Jordânia. Também está em discussão um outro tratado de longo prazo, a respeito de questões políticas, econômicas e de segurança.   As negociações ocorrem a portas fechadas. Os EUA se limitam a revelar que não haverá cláusulas secretas e que o Parlamento iraquiano terá liberdade para avaliar o acordo. Em suas primeiras declarações detalhadas sobre o processo, Maliki disse ser contra a insistência de Washington em conceder imunidade jurídica aos soldados americanos no Iraque e autorização para que eles realizem operações independentes do controle local.   "Não podemos ampliar a permissão para que as forças dos EUA prendam iraquianos ou assumam a responsabilidade de combater o terrorismo de forma independente, ou de manter os céus e águas iraquianos abertos para si sempre que desejarem", disse o premiê. "Uma das questões importantes que estamos colocando aos EUA é quanto à imunidade para seus soldados e terceirizados. Rejeitamos isso totalmente."   Os EUA têm acordos semelhantes sobre o "status das forças" com 80 outros países, muitos deles com cláusulas de proteção jurídica a soldados dos EUA. Reagindo às declarações de Maliki, um porta-voz da embaixada dos EUA em Bagdá afirmou: "As conversas estão em curso. Respeitamos a soberania do Iraque, e essa é a base das negociações. Ainda estamos em diálogo com os iraquianos a respeito disso."   O presidente George W. Bush afirmou na quarta-feira que ainda acredita em um acordo com o Iraque. Autoridades dos EUA dizem esperar um acordo até julho, mas seus pares iraquianos são mais cautelosos e sugerem que tal prazo pode ser inviável.

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