Violência contra civis em Gaza é 'rumor', diz Exército de Israel

Investigador afirma que soldados que relataram abusos não presenciaram ações, somente repetiram 'boatos'

Agências internacionais,

30 de março de 2009 | 13h17

Investigadores do Exército israelense afirmaram nesta segunda-feira, 30, que as acusações de soldados atiraram indiscriminadamente em mulheres e crianças palestinas durante a ofensiva na Faixa de Gaza não passam de "rumores". O juiz militar Avichai Mendelblit disse que as investigações encontraram "componentes cruciais de que (os incidentes descritos envolvendo os soldados) foram baseados em boatos

 

Um relatório da ONU e denúncias de organizações de direitos humanos apontam supostos crimes de guerra cometidos por Israel durante os 23 dias da ofensiva contra Gaza, encerrada em janeiro, como o emprego de crianças palestinas como escudos humanos, ataques contra médicos e hospitais e disparos indiscriminados feitos contra civis por aeronaves não tripuladas.

 

Os investigadores destacaram um incidente específico citado no relatório, como o bombardeio indiscriminado de civis e o desprezo pelos palestinos. Em um dos casos, afirma o Exército, a informação de que um soldado teria dado ordens para que uma idosa fosse executada não passava de um "boato repetido". Segundo os militares, ela foi morta enquanto se aproximava dos soldados por suspeita de ser uma mulher-bomba.

 

O Exército israelense rejeita as acusações e insiste que a legislação internacional foi respeitada. Os militares ainda discordam do número de mortos na ofensiva: eles afirmam que 295 civis estão entre os 1.116 palestinos mortos; autoridades palestinas apontam que 1.417 pessoas morreram, 926 delas civis.

 

O investigador militar afirmou ainda que o soldado que relatou os supostos abusos na ofensiva em Gaza durante uma cerimônia militar não presenciou de fato cada evento narrado. Um atirador de elite do Exército de Israel teria disparado contra uma mulher e seus dois filhos após eles não entenderem a ordem de um outro soldado e seguirem para o caminho errado. Sem saber que as vítimas tinham sido liberadas por outro militar, o atirador abriu fogo contra a família. De acordo com um soldado, identificado apenas como Aviv, orientações superiores estabeleciam que todas as pessoas que tivessem permanecido em Gaza depois do início da ofensiva israelense deveriam ser consideradas terroristas.

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