Violência deixa mais de 100 mortos na Líbia - diz organização

Já passam de 100 os mortos em quatro dias de violência na cidade líbia de Benghazi, disse a organização Human Rights Watch no domingo, depois de testemunhas declararem que as forças de segurança dispararam contra dezenas de outros manifestantes antigoverno.

REUTERS

20 de fevereiro de 2011 | 10h45

A pior turbulência nas quatro décadas em que o líder líbio Muammar Gaddafi está no poder começou como uma série de protestos inspirados por revoltas populares nos vizinhos Egito e Tunísia, mas chocou-se contra uma repressão acirrada das forças de segurança.

Testemunhas na cidade de Benhazi, no leste do país, disseram que as forças de segurança se retiraram para um complexo fortificado no centro da cidade, desde o qual estavam disparando contra pessoas que retornavam de sepultar manifestantes mortos nos dias anteriores.

"Dezenas de pessoas foram mortas. Estamos no meio de um massacre aqui," disse uma testemunha à Reuters.

O homem disse que tinha ajudado a levar vítimas ao hospital de Benghazi.

A organização Human Rights Watch, sediada em Nova York, disse que elevou sua contagem de mortos de 84 para 104, depois de pelo menos mais 20 pessoas terem sido mortas em Benghazi no sábado.

Segundo a entidade, a contagem de mortos, compilada a partir de entrevistas com testemunhas e funcionários de hospitais, é "conservadora". O governo líbio não divulgou cifras relativas a mortos e feridos, nem deu qualquer declaração oficial sobre a violência.

Um médico de um hospital de Benghazi disse que as vítimas sofreram ferimentos graves de fuzis de alta velocidade.

A repressão levou 50 líderes religiosos muçulmanos líbios a divulgar um apelo, enviado também à Reuters, para que as forças de segurança, na condição de muçulmanos, parem com a matança.

"Este é um apelo urgente de estudiosos religiosos (faqihs e xeques sufistas), intelectuais e anciãos de clãs de Trípoli, Bani Walid, Zintan, Jadu, Msalata, Misrata, Zawiah e outras cidades e povoados da região ocidental," diz o apelo.

"Apelamos para cada muçulmano que faça parte do regime ou o assista de qualquer maneira reconheça que a morte de seres humanos inocentes é proibida por nosso Criador e por seu amado Profeta da Compaixão (que a paz esteja com ele). NÃO matem seus irmãos e irmãs. PAREM com o massacre AGORA!"

Alguns analistas dizem que é possível que haja negociações entre Gaddafi e líderes tribais orientais, e um SMS enviado na noite de sábado a assinantes de telefonia celular líbios deixou no ar a possibilidade de uma abordagem mais conciliatória.

"Todos os cidadãos e jovens de Benghazi, os que morreram entre os civis e a polícia, são todos filhos de nosso país. Basta com o que aconteceu, basta com o derramamento de sangue."

Milhares de partidários de Gaddafi se reuniram na praça Verde da cidade até a madrugada do domingo, disse um repórter da Reuters.

Eles gritavam "Deus, Líbia e Muammar!" e "Muammar é o pioneiro do nacionalismo árabe."

A agência estatal de notícias disse que houve atos de vandalismo e incêndios criminosos em algumas cidades do país e que esses atos foram obra de "uma rede estrangeira treinada para criar conflitos e caos de modo a desestabilizar a Líbia."

(Reportagem adicional de Souhail Karam em Rabat, Tom Heneghan em Paris e Hamid Ould Ahmed em Argel; Texto de Christian Lowe)

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