Violência e conservadorismo ameaçam voto das mulheres afegãs

Pouca segurança, fraude desenfreada e número insuficiente de funcionárias vão manter muitas eleitoras longe das urnas na próxima eleição presidencial no Afeganistão, país profundamente conservador, temem diplomatas e cabos eleitorais.

GOLNAR MOTEVALLI, REUTERS

14 de agosto de 2009 | 21h38

Embora o voto feminino tenha emergido como potencialmente poderoso em algumas áreas, é improvável que a maioria das mulheres exerça seu direito no conflituoso sul e leste do país, onde o fraco governo permitiu que o Taleban ampliasse sua influência.

"As províncias do sul são comunidades mais fechadas e culturalmente mais conservadoras. A taxa de analfabetismo é elevada entre as mulheres", disse Massouda Jalal, uma médica que foi candidata a presidente na primeira eleição do Afeganistão, em 2004.

Os títulos eleitorais são também alvo fácil para fraudes no Afeganistão, país devotadamente muçulmano, dizem observadores, porque muitas mulheres não vão tirar fotos para o documento por razões culturais e religiosas.

Em termos práticos, simplesmente não haverá funcionárias suficientes para revistar mulheres nas cabines de votação em muitas áreas, temem as autoridades.

O enviado especial dos EUA, Richard Holbrooke, e a ONU expressaram recentemente grave preocupação quanto à possibilidade de as mulheres participarem livremente no processo democrático.

Em áreas voláteis, como a província de Hellmand, no sul, algumas partes só recentemente tiveram sua segurança garantida por tropas estrangeiras e o registro de eleitores começou há poucas semanas. Há poucas mulheres nas filas de registro.

"Eu enfatizo que, em tais áreas, se nós não tivermos mecanismos adequados de controle, haverá a chance de o chefe da família ou da tribo usar o título de uma mulher", disse Jandad Spindar, chefe da entidade Afeganistão Eleições Livres e Justas.

A participação feminina nas províncias do sul e do leste será crucial para o presidente Hamid Karzai, da etnia pashtun, que tem boa parte de seu apoio nesse grupo étnico, concentrado principalmente no sul do país.

(Reportagem adicional de Jonathon Burch)

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