Violência entre Israel e palestinos explode em três fronteiras

Pelo menos 13 pessoas morreram em manifestações nas fronteiras com a Síria, Líbano e Gaza

HAIM SHAFIR, REUTERS

16 de maio de 2011 | 08h44

MAJDAL SHAMS, COLINAS DO GOLà- Tropas israelenses atiraram em manifestantes palestinos que avançavam em direção às fronteiras com a Síria, o Líbano e a Faixa de Gaza neste domingo, 15, matando pelo menos 13 pessoas, no dia em que os palestinos lamentam a criação de Israel em 1948. Segundo fontes palestinas, o total de mortos pode chegar a 15.

Forças israelenses abriram fogo em três locais diferentes para impedir que multidões de manifestantes cruzassem as fronteiras, no pior confronto entre as partes em muitos anos.

Os incidentes aconteceram nas fronteiras com os três países para onde fugiram centenas de milhares de palestinos após o estabelecimento de Israel em 1948.

O Exército libanês na fronteira disse que dez palestinos morreram quando forças israelenses atiraram em manifestantes para evitar que eles entrassem no Estado judaico.

Fontes da segurança libanesa disseram que mais de 100 pessoas foram feridas durante o incidente na cidade libanesa de fronteira Maroun al-Ras.

O Exército de Israel disse que o Exército libanês também usou munição real numa tentativa de conter a multidão que corria em direção à cerca da fronteira.

Israel disse que os incidentes foram inspirados por provocações do Irã, cuja intenção seria explorar o sentimento nacionalista dos palestinos, alimentado pelas revoltas populares da "Primavera Árabe", e para tirar a atenção das revoltas internas na Síria, aliada do Irã.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que espera que os confrontos não aumentem.

"Esperamos que a calma e a tranquilidade voltem rapidamente. Mas que ninguém se iluda: estamos decididos a defender as nossas fronteiras e a nossa soberania", disse Netanyahu.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse num discurso televisionado para marcar a data que os mortos eram mártires da causa palestina.

"Seu sangue precioso não será desperdiçado. Ele foi derramado pela liberdade da nossa nação", disse Abbas.

Reportagens da mídia síria disseram que fogo israelense matou duas pessoas depois que dezenas de refugiados se infiltraram nas Colinas de Golã, ocupadas por Israel, através da Síria, ao longo de uma linha fronteiriça que tem sido há décadas muito tranquila.

Na tensa fronteira ao sul de Israel com a Faixa de Gaza, fogo israelense feriu 82 manifestantes que se aproximavam da cerca com o enclave governado pelo Hamas, disseram equipes médicas.

Em outro incidente, as forças israelenses disseram que atiraram em um homem que estava tentando colocar uma bomba perto da fronteira. Mais tarde, um corpo foi encontrado.

Em Tel Aviv, o centro comercial de Israel, um caminhão dirigido por um árabe-israelense bateu em dois veículos e em pedestres, matando um homem e ferindo 17 pessoas. A polícia estava tentando determinar se o incidente foi um acidente ou um ataque. Testemunhas disseram que o motorista, que foi preso, enlouqueceu e lançou o seu veículo deliberadamente.

A polícia jordaniana lançou gás lacrimogêneo no domingo para dispersar centenas de ativistas pró-palestinos que se reuniram em um vilarejo na fronteira com Israel.

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