Violência explode em Bagdá no aniversário da invasão

Pelo menos 23 pessoas morreram e 83ficaram feridas na quarta-feira na favela xiita de Sadr City,em Bagdá, segundo fontes de segurança. A cidade teve um diaviolento no quinto aniversário da ocupação norte-americana,apesar da restrição à circulação de veículos. Até 73 pessoas morreram em Sadr City desde domingo emcombates entre milicianos mascarados, ligados ao clérigo xiitaMoqtada Al Sadr, e forças norte-americanas e iraquianas. "O chão do hospital está coberto com o sangue de crianças",disse o médico Qasim Al Mudalla, diretor do hospital Imã Ali,em Sadr City, onde segundo ele chegaram na quarta-feira quatrocrianças e duas mulheres mortas, além de cinco homens adultos."O que o mundo está fazendo? Vêem o sangue das nossas criançase não fazem nada!" Outras partes de Bagdá estão tranquilas, com as ruas semtráfego por causa da restrição aos veículos em vigor naquarta-feira, para evitar distúrbios na data em que osnorte-americanos invadiram a capital e depuseram o regime deSaddam Hussein. Lojas, repartições públicas, escolas e universidadesficaram fechadas, e os moradores só foram autorizados a sair apé. Sadr havia convocado uma grande manifestação contra os EUA,mas a adiou alegando temer pela segurança de seus seguidores. Muitos iraquianos citaram a data com amargura. O militar dareserva Salim Hussein disse que esses cinco anos só trouxeram"sangue, bombas, toques de recolher e lutas internas." "O governo é totalmente incapaz de oferecer segurança",disse ele, caminhando perto da praça onde em 9 de abril de 2003os soldados norte-americanos derrubaram uma gigantesca estátuade Saddam. Em pronunciamento pela TV, o presidente Jalal Talabanidisse que a data deve ser celebrada. "O 9 de abril entrará nahistória como o dia em que a ditadura mais arrogante que aMesopotâmia já conheceu foi deposta, a queda de um regimepolítico que deixou para trás valas comuns que continhamcentenas de milhares de inocentes." O presidente dos EUA, George W. Bush, que deve fazer umdiscurso sobre o Iraque na quinta-feira, falou por telefone como primeiro-ministro do Iraque, Nuri Al Maliki, e segundo umporta-voz iraquiano manifestou apoio à repressão do governo deBagdá contra a milícia xiita. Também na quarta-feira, enquanto autoridades dos EUArejeitavam no Congresso um cronograma para a desocupação, oIraque anunciava a prisão de um importante dirigente da AlQaeda. Nazal Sabar Al Jughaify, também conhecido como Abu AlJarrah, seria um adjunto de Abu Ayyub Al Masri, líder máximo dogrupo sunita no Iraque, segundo militares locais. Jughaify foi capturado na província de Anbar (oeste) e deveser levado a Bagdá para interrogatório, segundo um porta-voz doExército.

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