Volta de partidários de Saddam às eleições é ilegal, diz governo

Segundo autoridades, decisão de corte de apelações fere a Constituição; xiitas também reclamaram

Reuters,

04 de fevereiro de 2010 | 09h42

O governo do Iraque considerou ilegal a decisão de uma corte de apelações que permitia que cerca de 500 candidatos que haviam sido banidos do sistema político, entre eles alguns por ligações com o partido Baath, do ex-ditador Saddam Hussein, possam concorrer às eleições parlamentares de março.

 

Segundo o porta-voz do governo, Ali al-Dabbagh, a decisão da corte de apelações fere a Constituição iraquiana. "Adiar a implementação da lei da Comissão de Justiça para depois das eleições é ilegal e inconstitucional", disse o funcionário por meio de comunicado em seu site.

 

Grupos xiitas, que junto dos curdos foram a minoria iraquiana durante o repressivo regime do ditador sunita Saddam Hussein, também condenaram a decisão da quarta-feira.

 

A proibição de candidatos sunitas de concorrerem às eleições foi vista como uma conspiração das facções xiitas para manter os ex-partidários de Saddam longe do poder, embora a lista de políticos que não podem concorrer às eleições tenha mais nomes xiitas que sunitas.

 

A comissão eleitoral do Iraque pediu que a mais alta corte do país se pronuncie sobre a decisão. O chefe da comissão, Faraj al-Haidari, disse nesta quinta-feira que o Conselho Supremo Judiciário foi questionado sobre o tema.

 

Segundo al-Haidari, a intenção é saber se uma decisão tomada pela corte de apelações iraquiana, na quarta-feira, retirando a proibição para que os candidatos sunitas concorram, valerá para as eleições. Os funcionários eleitorais concluíram que os candidatos podem concorrer e, caso vençam, teriam que passar por investigação sobre supostos vínculos com o regime do ex-ditador.

 

As eleições parlamentares de março são consideradas como um teste para a democracia no Iraque, país que emerge de conflitos após a invasão americana de 2003. O principal fator de instabilidade são as tensões entre xiitas e sunitas, motivo pelo qual as eleições foram adiadas de janeiro para março.

Tudo o que sabemos sobre:
xitasSaddam HusseinsunitasIraque

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.