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CNA vence eleições, mas não consegue maioria na África do Sul

Partido governista não terá poderes para mudar a Constituição; Jacob Zuma deve ser o novo presidente

Agências internacionais,

25 de abril de 2009 | 17h54

O partido governista Congresso Nacional Africano (CNA), foi o grande vitorioso das eleições gerais na África do Sul, mas não obteve a maioria necessária para mudar a Constituição. Segundo a BBC, o CNA conquistou 65,9% dos votos, alguns décimos abaixo do porcentual necessário para conquistar os dois terços e ter poderes absolutos para mudar a Constituição. No Parlamento, esse tipo de alteração só é feita sem alianças com outros partidos caso o partido governista tenha dois terços de maioria.

 

Apesar disso, o resultado abre caminho para que o líder do partido, Jacob Zuma, se torne o novo presidente do país quando o novo Parlamento se reunir. O presidente é eleito pela maioria simples da casa. Neste sábado, Zuma foi tratado como presidente eleito após o anúncio do resultado, apesar de divisões em seu partido e escândalos relacionados à corrupção e seu comportamento, os quais, possivelmente, foram responsáveis pela não obtenção da maioria no Parlamento.

 

Zuma fez um discurso de 20 minutos ao vivo na televisão estatal, no qual prometeu aumentar o número de empregos, de casas, escolas e clínicas para a maioria negra, que viu poucas mudanças no país desde a primeira eleição do CNA, em 1994. Para política externa, Zuma defendeu continuidade dos esforços para estabilizar o Zimbábue, o Congo, o Sudão e a Somália. Zuma disse que havia se reunido com o presidente da FIFA, Sepp Blatter, para pedir seu apoio para a Copa do Mundo de 2010, a qual será realizada na África do Sul e que deve trazer visibilidade mundial para o país

 

Apesar do novo partido ter tido pouco impacto no resultado das eleições, a votação foi uma das mais competitivas desde o fim do regime de segregação do apartheid, há 15 anos. Além disso, o CNA teve a primeira queda no seu porcentual de votos desde 1994. Nas eleições de 2004, o partido conquistou quase 70% dos votos. O partido governista perdeu ainda na Província do Cabo Ocidental,o centro da indústria do turismo no país, para a Aliança Democrática, liderada por Helen Zille. Ela disse que o partido deve formar uma coalizão. De acordo com alguns analistas politicos, o DA deve se unir ao Congresso do Povo.

 

O comparecimento às urnas foi alto, chegando a 80% em algumas regiões. Mesmo antes do anúncio dos resultados oficiais, partidários do CNA já festejavam na noite de sexta-feira nas ruas de cidades como Durban e Joanesburgo.

 

Polêmico

 

O provável novo presidente do país, Jacob Zuma, é classificado como "populista" por analistas e passou dez anos preso durante o regime do apartheid. Caso sua eleição seja confirmada, seus principais desafios serão fortalecer a economia sul-africana e combater a crescente criminalidade no país.

 

Zuma, de 67 anos, é considerado um líder polêmico, e acusações de corrupção foram levantadas contra ele apenas duas semanas antes das eleições. A Promotoria, no entanto, retirou as acusações contra o líder do CNA, alegando que seriam parte de um plano para prejudicar o partido nas eleições.

 

Em 2005, Zuma ele teve sua imagem arranhada, quando foi acusado de estupro. Ele foi inocentado, mas provocou revolta em parte da população ao admitir ter tido relações sexuais sem proteção com uma mulher que ele sabia ser HIV positivo - a África do Sul é líder no número de casos de AIDS no mundo, com cerca de 5,7 milhões de infectados.

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