Exército lança operação contra taleban próximo a Islamabad

Governo afirma que mais de 30 mil pessoas fugiram do distrito do Baixo Dir, alvo da operação do Exército

Agências internacionais,

28 de abril de 2009 | 08h23

O porta-voz do Exército paquistanês, Athar Abbas, anunciou nesta terça-feira, 28, que as forças de segurança lançaram uma operação militar sobre Buner, distrito situado a cerca de 100 quilômetros de Islamabad que os taleban disseram ter abandonado. Em entrevista coletiva em Rawalpindi, perto da capital paquistanesa, Abbas disse que soldados da Guarda de Fronteiras estão realizando a ofensiva a partir desta terça, com o apoio de helicópteros e aviões militares.

 

Pelo menos 70 insurgentes morreram na operação que as forças de segurança paquistaneses iniciaram no domingo no distrito de Baixo Dir, na fronteira com o Afeganistão. Em declarações à imprensa nesta terça-feira, 28, o ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, disse que outros 450 fundamentalistas ainda estão escondidos no distrito de Buner, apesar de, na sexta-feira passada, a insurgência taleban ter anunciado a retirada da região.

 

Nas últimas semanas, os fundamentalistas tentaram estender sua influência às áreas de Dir e Buner, vizinhas ao Vale de Swat, com forte presença taleban. No Vale de Swat, o governo da Província da Fronteira Noroeste assinou em fevereiro um acordo de paz com a insurgência taleban para a aplicação da sharia (lei islâmica) na divisão regional de Malakand, à qual pertencem todas estas demarcações. O acordo foi apoiado quase por unanimidade no Parlamento nacional e depois assinado pelo presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, mas o avanço insurgente para outras áreas, especialmente a Buner, a apenas 100 quilômetros de Islamabad, gerou preocupação tanto na classe política do país quanto na comunidade internacional.

 

A entrada dos insurgentes em Buner, em 2 de abril, representa uma "violação" do acordo de paz com os taleban, que desde então sequestraram e assassinaram policiais, além de construir bunker e trincheiras ao redor das estradas e recrutar novos insurgentes, disse Abbas. O porta-voz, que estimou entre 450 e 500 os fundamentalistas que estão ocupando esta zona vizinha ao conflituoso Vale de Swat, disse que o anúncio dos taleban em 24 de abril de que sairiam de Buner foi uma tentativa de enganar a opinião pública.

 

"Todo o mundo está à espera do Paquistão. (Os taleban) deveriam abandonar as armas", disse à imprensa o ministro regional de Informação, Mian Iftikhar, que reiterou o compromisso das autoridades com o acordo, mas alertou que qualquer ataque insurgente será respondido. Iftikhar também apostou em retomar o diálogo com o clérigo radical Sufi Mohammed, líder de um grupo islâmico que fez a intermediação entre o Executivo e os insurgentes no processo de pacificação, mas que suspendeu as conversas por causa da ofensiva militar em Baixo Dir.

 

Deslocados

 

Cerca de 30 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, fugiram de suas casas no noroeste do país por conta da ofensiva militar. Segundo o ministro de Informação, o governo está se organizando para receber os desalojados do distrito de Baixo Dir em Peshawar, Nowshera e Timargarah

 

Na segunda-feira, o grupo extremista Taleban declarou "sem validade" o acordo de trégua com o governo do Paquistão depois que Islamabad atacou, usando helicópteros e tanques, áreas controlados pelos rebeldes no Baixo Dir. Pelo menos 20 rebeldes foram mortos na ofensiva de segunda. No domingo, quando o Exército iniciou a incursão, morreram outras 31 pessoas.

 

O endurecimento da política paquistanesa deve satisfazer o governo americano, que há dias vinha alertando para o perigo que as concessões feitas ao Taleban representam. O premiê britânico, Gordon Brown, que na segunda visitou o Afeganistão e o Paquistão, disse que a região de fronteira entre os dois países é a "encruzilhada do terrorismo". Brown prometeu aumentar a ajuda ao Paquistão, principalmente na área civil.

 

Diante das suspeitas de que o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, esteja escondido na área coberta pelo acordo de trégua, Zardari foi evasivo. "Ele pode estar morto, mas isso já tinha sido dito antes. Isso ainda está entre a ficção e o fato."

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