Efe
Efe

ONU diz que mais de 6.500 civis morreram no Sri Lanka

Documento estima que outras 13 mil foram feridas nos últimos 3 meses de confrontos entre governo e rebeldes

Agências internacionais,

24 de abril de 2009 | 09h48

Oficiais indianos pediram nesta sexta-feira, 24, ao presidente do Sri Lanka um cessar-fogo imediato na guerra civil contra os rebeldes tâmeis. O apelo foi feito no mesmo dia em que as Nações Unidas (ONU) informaram que cerca de 6.500 civis da etnia tâmil foram mortos nos últimos três meses. A preocupação com a segurança dos civis presos na região do conflito cresceu nas últimas semanas, enquanto o governo amplia a ofensiva contra o grupo rebelde Tigres de Libertação do Eelam-Tâmil (LTTE, na sigla em inglês) e encerrar os combates que já duram quase 25 anos.

 

O líder do grupo, Vellupillai Prabhakaran ,está encurralado em uma pequena faixa de floresta costeira no nordeste do país, disse o brigadeiro do Exército cingalês, Shavendra Silva. De acordo com o militar, um porta-voz rebelde, que se entregou às forças governamentais no início da semana, relatou que Prabhakaran, de 54 anos, estava preparando-se para propor a retirada final de seu Exército separatista encurralado e em menor número. O líder dos tâmeis resiste junto com seu filho, Charles Anthony, e os chefes da inteligência guerrilheira em um território de oito quilômetros quadrados ainda em poder do grupo.

A Índia, pressionada por sua população tâmil durante uma eleição nacional no país, mandou o conselheiro de Segurança Nacional M. K. Narayanan e o secretário de Relações Exteriores Shivshankar Menon ao Sri Lanka para pressionar por um cessar-fogo. Eles se reuniram com o presidente Mahinda Rajapaksa, mas não há detalhes do encontro.

 

Grupos internacionais de direitos humanos acusam o governo de atacar áreas densamente povoadas por civis na região de guerra e dizem que os rebeldes estão usando a população como escudo humano. Ambos negam as acusações. Segundo um documento da ONU, que circulou entre representantes de missões diplomáticas no Sri Lanka nos últimos dias, aponta que 6.432 civis foram mortos nos últimos três meses no país e outros 13.946 feridos. O relatório aponta ainda que a média do número de vítimas por dia aumentou consideravelmente, passando de 33 no fim de janeiro para 116 em abril.

 

No começo da semana, tropas oficiais explodiram o gigantesco muro de terra construído pela guerrilha Tigres da Libertação do Tâmil Eelam (TLTE), desencadeando o êxodo de mais de 106 mil civis. Cerca de 95 mil pessoas chegaram aos campos de refugiados instalados fora da área do conflito, mas acredita-se que "50 mil permanecem bloqueadas" no meio dos combates, declarou a porta-voz do Escritório de Ajuda Humanitária das Nações Unidas, Elisabeth Byrs. Byrs disse que esses números são aproximados, obtidos através de observações por satélite, já que os organismos de socorro não têm acesso à zona de conflito devido ao perigo da situação. Os militares estimam que cerca de 167 mil pessoas já tenham fugido da zona de combates neste ano.

Tudo o que sabemos sobre:
Sri Lanka

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.