Reproução / Twitter Daniel Scioli
Reproução / Twitter Daniel Scioli

Kirchnerista agora aceita debate pela presidência argentina

O governista Daniel Scioli venceu o conservador Mauricio Macri por apenas 2 pontos porcentuais, diferença que aumenta chance de vitória opositora em segundo turno em novembro

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2015 | 14h45

Após obter uma vitória apertada no primeiro turno (36,8% ante 34,3%), o candidato governista presidência Daniel Scioli mudou de ideia sobre a necessidade de participar de um debate. Ele disse nesta segunda-feira, 26, que aceita expor suas propostas diante do conservador Mauricio Macri, com quem disputará a presidência argentina no dia 22 de novembro. Será o primeiro segundo turno da história argentina.

Em um debate no dia 4, ele deixou sua bancada vazia enquanto os opositores discutiam na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA). Foi alvo de todos. Questionado sobre a ausência, Scioli argumentava que a população conhecia suas ideias por governar há oito anos a Província de Buenos Aires. Agora, pensa diferente. "Já tinha deixado claro a Macri que se houvesse um segundo turno, deveria haver um debate", afirmou Scioli ao meio-dia, em entrevista coletiva. Ele não deu motivo para a mudança de posição.

Scioli apresentou sinais de qual será sua estratégia para o segundo turno. Questionado sobre como conseguiria os votos do terceiro colocado, o ex-kirchnerista Sergio Massa (21%), disse que os eleitores do opositor estavam mais próximo dele. "O eleitor da Frente Renovadora (grupo fundado por Massa) está muito mais distante de Macri do que de nós. O problema tem ele (para conseguir esses votos), não nós", disse. Antes da votação, institutos de pesquisa apontavam uma distribuição equilibrada dos votos de Massa. A consultoria Poliarquía estimava que 60% dos eleitores penderiam para Macri e os demais para Scioli. 

O governador da Província de Buenos Aires retratou a nova fase da eleição como uma escolha entre um projeto em que o Estado é ativo e outro que dá ao mercado à condução do governo. "Decidirão por um governo que tenha muito claro o que precisa defender, ou o projeto da concentração, o livre mercado e o endividamento que levaram a grande frustração", acrescentou, referindo-se à crise de 2001 e 2002, a pior da história argentina, posterior ao governo liberal do peronista Carlos Menem (que colocou Scioli, um ex-piloto de lancha, na política).

Massa não se posicionou, mas ficou muito mais próximo de Macri do que do governista.  "Sabemos qual nosso papel e qual nossa responsabilidade em relação ao futuro da Argentina. Vamos provar que é possível fazer uma nova política. Vamos no caminho de construir uma mudança positiva”, disse em discurso após a eleição. Ele rompeu com o governo em 2013 e formou uma frente que ganhou a eleição parlamentar daquele ano, barrando o projeto de Cristina para um terceiro mandato.

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