EFE/Mario Ruiz
EFE/Mario Ruiz

Esquerda radical será peça-chave em novo cenário político chileno

Frente Ampla, de Beatriz Sánchez, obteve 1,3 milhão de votos na eleição presidencial e, na Câmara, aumentou sua bancada de 3 para 20 deputados, conquistando grande poder de negociação para o segundo turno

O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2017 | 16h43

SANTIAGO - Com de 1,3 milhão de votos para Beatriz Sánchez, candidata da Frente Ampla, este partido se tornou um peça-chave no novo cenário político resultante das eleições de domingo.

Piñera conquista maior bancada no Congresso chileno, mas não terá maioria

A Frente Ampla não apenas ficou na terceira posição a dois pontos do candidato da situação Alejandro Guillier, que disputará a presidência no dia 17 de dezembro com o ex-presidente Sebastián Piñera no segundo turno, como passou de 3 para 20 deputados. 

Esse jovem partido nascido em março e integrado por movimentos de esquerda e alguns dos líderes dos protestos estudantis pretende atrair os críticos da política tradicional - em sua maioria jovens - e os desiludidos da esquerda representada pelo governo da socialista Michelle Bachelet.

Após essas eleições, o poder de negociação é muito forte para esta formação para o segundo turno, diz o analista René Jara, da Universidade de Santiago.

Lourival Sant'Anna: Democracia madura

"A Frente Ampla será obrigada a negociar" se quiser que não se repita o aconteceu em 2009, quando a direita de Sebastián Piñera venceu a eleição frente o democrata cristão Eduardo Frei, que não teve apoio de Marco Enriquez-Ominami (esquerda), opina o analista.

"Se não negociarem, serão os responsáveis pela chegada de Piñera" ao poder diz Frei. No domingo, o ex-presidente conquistou 2,4 milhões de votos, um resultado muito inferior ao que apontaram as pesquisas. 

O magnata não parece agora ter outra escolha a não ser se unir a José Antonio Kast, que reivindica o legado da ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990) para tentar capitalizar o meio milhão de votos que Kast obteve no domingo.

Guillier, o candidato do Nova Maioria, que disputará o segundo turno com Piñera, não hesitou em acenar a Beatriz e à candidata da Democracia Cristã, Carolina Goic, cujos apoios serão vitais para uma vitória da esquerda em 17 de dezembro.

‘Jovens não se enxergam nos políticos chilenos’

"Precisamos reconstruir uma unidade profunda de todos os chilenos e chilenas que querem mudança", disse Guillier em seu primeiro discurso, antes de acrescentar que é preciso "ir ao segundo turno com propostas claras que agrupem todos, de modo que todos se sintam parte do que será o governo".

O prefeito de Valparaíso, Jorge Sharp, uma das maiores referências da Frente Ampla, deixou claro que o apoio a Guillier será caro. "Para votar em Alejandro Guillier muitas coisas precisam acontecer", declarou Sharp nesta segunda feira à Tele13 radio.

Na eleição de domingo compareceram às urnas 46,7% dos 14,3 milhões de chilenos com direito a voto.

A centro-esquerda chilena apareceu dividida nessas eleições que inauguraram o sistema eleitoral proporcional para o Congresso. No total, 6 dos 8 candidatos se situam no espectro da centro-esquerda. Somados, tiveram 3,65 milhões de votos, frente aos 2,93 milhões da direita.

Em uma recente entrevista, Breatiz - que deixou o jornalismo em março para se lançar na política garantiu que sua vocação é fazer "ponte com os movimentos sociais" e "tornar um país onde tudo está mercantilizado em um país onde haja direitos sociais para reduzir o temor permanente de não ter dinheiro para enfrentar o que nos acontece", no âmbito trabalhista, educacional ou sanitário. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.