REUTERS/Philimon Bulawayo
REUTERS/Philimon Bulawayo

EUA reprovam intervenção militar no Zimbábue e pedem solução rápida

Porta-voz do Departamento de Estado disse que Casa Branca está preocupada com 'ações das forças militares' do país africano, mas não classifica ocorrido como um golpe de Estado; ONU pede diálogo e solução constitucional para resolver crise

O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 10h40

WASHINGTON - Os Estados Unidos manifestaram na quarta-feira, 15, preocupação com a "intervenção militar no processo político" do Zimbábue e pediram uma resolução "rápida" para a crise política dentro da ordem constitucional, mas não chegaram a classificar o ocorrido como um golpe de Estado.

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Um porta-voz do Departamento de Estado americano, que pediu anonimato, afirmou que o governo de Donald Trump está "preocupado com as recentes ações das forças militares do Zimbábue", que se rebelaram contra o presidente Robert Mugabe e tomaram o controle do país.

"Pedimos a todos os líderes zimbabuanos a exercer a contenção, respeitar o estado de direito, garantir os direitos constitucionalmente protegidos de todos os cidadãos e resolver rapidamente as diferenças para permitir um retorno rápido à normalidade", disse o porta-voz.

O embaixador americano no Zimbábue, Harry Thomas, está "em contato com o governo" do país africano e recebeu informações tanto do Ministério de Relações Exteriores como do exército zimbabuano, explicou a fonte.

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"Continuaremos nos relacionando com todas as partes que estejam dispostas a trabalhar conosco para conseguir uma resolução rápida e pacífica que esteja de acordo com a Constituição", afirmou.

Perguntado se os Estados Unidos consideram o ocorrido um golpe de Estado, o porta-voz se limitou a dizer que Washington "continua supervisionando a situação em Harare, que ainda está se desenvolvendo, e poderá proporcionar mais avaliações à medida que os fatos fiquem mais claros".

"Expressamos claramente as nossas preocupações sobre as ações tomadas pelas forças militares do Zimbábue", ressaltou. "Não perdoamos a intervenção militar em processos políticos", acrescentou o porta-voz.

Quanto ao pedido das forças militares do Zimbábue para que o Ocidente preste mais atenção à relação com o país, o porta-voz afirmou que os Estados Unidos "seguem comprometidos com o povo" do país africano e "com esperanças de um futuro mais promissor".

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Nações Unidas

Ainda na quarta-feira, a ONU pediu calma para as partes em conflito no Zimbábue e ressaltou que a crise política no país deve ser resolvida por meio do diálogo, respeitando a Constituição.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que está acompanhado a situação e pediu "calma e moderação" às partes. "Preservar os direitos fundamentais, incluindo a liberdade de expressão e reunião, é de importância vital", disse um dos porta-vozes da Secretaria-Geral da ONU, Fahran Haq.

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"O secretário-geral ressalta a importância de resolver as diferenças políticas por meio de vias pacíficas e do diálogo, em linha com a Constituição do país", completou o porta-voz.

Haq reconheceu que a situação no Zimbábue é, por enquanto, um "pouco confusa", e a ONU está tentando obter mais informações sobre o que está ocorrendo no país. / EFE

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