As 7 chaves da eleição na Itália
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As 7 chaves da eleição na Itália

Entenda os fatores que terão peso no pleito deste ano

Redação Internacional

04 Março 2018 | 03h00

Os italianos vão às urnas neste domingo, 4, em um momento no qual o país lida com queda no poder de compra e alta taxa de desemprego. Veja abaixo sete fatos que pesarão no pleito deste ano.

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O Movimento 5 Estrelas foi fundado por Beppe Grillo e se tornou a maior força na Itália (Foto: AFP PHOTO / Filippo MONTEFORTE)

O Movimento 5 Estrelas foi fundado por Beppe Grillo e se tornou a maior força na Itália (Foto: AFP PHOTO / Filippo MONTEFORTE)

1. Sucesso do Movimento 5 Estrelas

O partido fundado por Beppe Grillo tornou-se a maior força na Itália e lidera as pesquisas. No entanto, seus membros têm dificuldades para mudar sua imagem de aventureiros incapazes de assumir o poder.

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2. Colapso da esquerda

O Partido Democrático, de centro-esquerda, dominou as eleições para o Parlamento Europeu em 2014, mas seu apoio caiu quase pela metade, para 23%. O ex-premiê Matteo Renzi era apreciado pela elite, mas é rejeitado pelos italianos comuns, que o consideram arrogante e frio. Ele tem poucas chances de ter algum papel no futuro governo, a menos que seja como parceiro secundário de Berlusconi.

3. Futuro dos imigrantes

Mais de 620 mil chegaram à Itália desde 2013 e o ex-premiê Silvio Berlusconi quer mandar todo mundo de volta. Seu plano, porém, é considerado desumano. O ódio aos refugiados ainda é grande e os fatores que causam a imigração não mudarão tão cedo no Oriente Médio e na África.

4. Berlusconi voltará?

O velho líder e magnata de mídia foi pioneiro na combinação de entretenimento e política, que ajudou Donald Trump a se eleger nos EUA. Uma condenação por sonegação, porém, impediu sua candidatura. Depois de escândalos de suborno e orgias com mulheres e álcool, foi considerado politicamente morto após deixar o cargo, em 2011. Agora, ele terá enorme influência no novo governo. Incrivelmente, hoje é bem-visto pela União Europeia.

5. Futuro da economia

A Itália cresceu só 1,5% em 2017. O desemprego entre jovens atingiu 35% e, no geral, o número de desempregados é mais alto do que a média europeia. Mas ninguém sabe como resolver o problema. O Movimento 5 Estrelas promete dar € 780 ao mês para cada italiano adulto a título de renda básica, mas não explica como pagaria por isso.

6. A Itália é governável?

Às vezes, a Itália parece trocar de líderes enquanto ainda não produz novos. A instabilidade não é nova, mas com o surgimento do Movimento 5 Estrelas a política italiana está dividida em três, sem maioria viável. Mesmo que haja uma nova eleição no futuro próximo, essa dinâmica não deve mudar.

7. Um ídolo de direita

O líder da Liga Norte, Matteo Salvini, tem piercing na orelha e um estilo de pessoa comum. Diante da escassez de líderes carismáticos, ele é um dos mais talentosos. Existe até a possibilidade de o seu partido angariar mais votos do que o de Berlusconi, o que o colocará como principal candidato à cadeira de primeiro-ministro. Se isso ocorrer, ele será o primeiro populista da direita radical a governar a Itália desde 1945. E ele está ainda mais comprometido do que Berlusconi a expulsar os imigrantes. / W. POST