Ruth Fremson/NYT
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Sanders vence prévia de Nevada e se fortalece para decisão da Superterça

Senador bate com folga seus rivais e desponta como favorito a levar o maior número de delegados no dia 3, data decisiva na escolha do candidato democrata que tentará evitar o segundo mandato de Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2020 | 04h00
Atualizado 26 de fevereiro de 2020 | 17h22

LAS VEGAS - O senador Bernie Sanders venceu com folga as primárias de Nevada no sábado 22 e ganhou um impulso importante para sua campanha, que até agora desafia o establishment democrata e sufoca os planos de rivais que ainda esperam impedi-lo de ser o candidato que concorrerá com Donald Trump nas eleições de novembro. Mais uma vez, o ex-vice-presidente Joe Biden decepcionou. 

A vantagem de Sanders em Nevada foi esmagadora, com ampla margem em quase todos os grupos demográficos, após um empate em Iowa e a vitória apertada em New Hampshire. 

A conquista é ainda mais significativa porque Nevada é o primeiro Estado que tem uma parcela significativa de eleitores negros, que tendiam a apoiar a candidatura de Biden. O resultado mostrou que Sanders expandiu seu eleitorado e ganhou impulso à medida que a corrida à indicação chega a um momento decisivo nos próximos 10 dias.

Na votação de Nevada, o senador esteve na frente dos concorrentes entre os eleitores com e sem curso superior; entre os eleitores ligados ou não a sindicatos e ainda em todas as faixas etárias, exceto as com mais de 65 anos. Com 60% dos votos apurados, Sanders tinha 46% dos votos, Biden estava com 19,6%, Pete Buttigieg, 15,3%, Elizabeth Warren, 10,1%, e Amy Klobuchar, 4,8%.

Sanders ainda levou a melhor entre os hispânicos - com quase quatro vezes mais votos do que Biden - e prevaleceu por pouco entre aqueles que se identificam como moderados ou conservadores. “Montamos uma coalizão multigeracional e multirracial, que não só vencerá em Nevada, como também varrerá esse país”, disse Sanders durante um comício em San Antonio, após a imprensa o declarar vencedor. 

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Sanders disse que começa a “se ver como o candidato democrata”, dado o seu bom desempenho até agora, pouco antes da Superterça, no próximo dia 3, quando 14 Estados votam na primária democrata. Com a vantagem obtida, o autointitulado “socialista-democrata” adotou um tom mais conciliador. “Estamos nos aproximando do nosso pessoal: negros, brancos, latinos, latino-americanos, asiáticos, gays e heterossexuais”.

Decepção 

Biden voltou a ter um resultado ruim nas prévias, ficando em segundo, mas muito atrás de Sanders. O ex-vice-presidente continua esperançoso de que sua popularidade entre a população negra lhe dê uma boa vitória na primária da Carolina do Sul, no próximo sábado.

O ex-prefeito de South Bend (Indiana) Pete Buttigieg e a senadora Elizabeth Warren vieram atrás - eles eram apontados como os únicos que ainda representavam uma ameaça real à candidatura de Sanders.

Buttigieg usou seu discurso na noite de sábado para lançar um ataque mais assertivo a Sanders, alertando que o partido ruma por um caminho perigoso. “Antes de nos apressarmos em nomear o senador Sanders, vamos dar uma olhada sóbria nas consequências”, disse ele, acrescentando que o senador de Vermont “acredita em uma revolução ideológica inflexível que deixa de fora a maioria democrata, para não mencionar a maioria dos americanos”.

Os ataques contra o senador tendem a aumentar. Seus rivais miram cada vez mais seu plano de saúde pública gratuita para todos e questionam sua recusa em divulgar o próprio prontuário médico. Sanders tem 78 anos e sofreu um ataque cardíaco recente. 

O ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg continua apostando suas fichas e os US$ 434 milhões em campanha na Superterça, mesmo Sanders tendo vantagem no Texas e na Califórnia - que votam na Superterça.

Nenhum candidato sinalizou que desistiria para que os moderados do partido pudessem consolidar forças contra Sanders, o que deixa o senador em posição de ampliar sua base eleitoral. / W. POST e NYT

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