AP Photo/Patrick Semansky
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Trump decide estender medidas de isolamento social nos EUA

Orientações que exigem distanciamento seguem valendo até 30 de abril; país pode registrar até 200 mil mortes, diz médico que coordena força-tarefa na Casa Branca

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2020 | 20h52

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, mudou de rumo ontem e estendeu a orientação de isolamento social no país até o dia 30 de abril. Com isso, ele desiste da ideia de normalizar o comércio até o Domingo de Páscoa, dia 12, como havia prometido na semana passada. O presidente disse ainda que o pico de mortes por coronavírus deve ser atingido em duas semanas.

Os EUA são o país com maior número de casos no mundo. Ontem, o total ultrapassou 140 mil, com 2,5 mil mortes. O problema dos americanos é que as novas contaminações crescem a uma média de 20 mil por dia, o que vem sobrecarregando o sistema de saúde do país, especialmente de cidades grandes, como Nova York e Chicago.

“É provável que o pico da epidemia aconteça em duas semanas. Nada seria pior do que declarar vitória antes do momento correto. Essa seria nossa maior derrota. Portanto, nas próximas duas semanas, e durante esse período, é muito importante que todos sigam as diretrizes”, disse o presidente. Quando questionado se o discurso da semana passada, em que ele pedia a reabertura do comércio antes da Páscoa, havia sido um erro, Trump disse que não. “Foi apenas um desejo”, afirmou.

Em seguida, Trump rejeitou a ideia de que pode flexibilizar as medidas de isolamento social antes desse prazo em determinados pontos dos EUA. “O quanto melhor fizermos isso, mais rápido esse pesadelo passará”, afirmou o presidente, que prometeu o emprego massivo de um novo tipo de exame que fica pronto em cinco minutos e começa a ser realizado já nesta semana a um ritmo de 50 mil testes por dia.

Segundo Trump, o novo kit foi aprovado em quatro semanas pela Food and Drug Administration (FDA), agência que regula remédios e alimentos. Em média, uma aprovação do tipo chega a demorar 10 meses.

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Situação é crítica em Nova York

Segundo a Casa Branca, todas as regiões metropolitanas do país podem enfrentar surtos da doença da mesma magnitude do que vem acontecendo em Nova York. No sábado, a cidade registrou 237 mortes e mais de 7 mil novos casos. O avanço da doença já sobrecarrega os hospitais nova-iorquinos. Segundo o prefeito, Bill de Blasio, a cidade tem suprimento médico para atender os pacientes vítimas do coronavírus somente até o fim desta semana.

Ontem, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, disse que os nova-iorquinos devem se preparar para um desastre. “Eu não acho que exista alguma maneira de olhar para esses números sem concluir que milhares de pessoas morrerão”, disse. Cuomo disse que 8,5 mil pessoas estão internadas na cidade de Nova York, que registrou um aumento nos casos de 16% de sábado para domingo. Do total, 2 mil estão ocupando leitos de UTI. 

A situação vem se agravando também no Estado da Louisiana. Ontem, o governador, John Bel Edwards, disse que o colapso do sistema estadual de saúde “é uma questão de dias”. “Se continuarmos nessa trajetória, ultrapassaremos nossa capacidade de atendimento”, disse Edwards. “Nesse momento, vivem como se tudo estivesse normal, realmente é o ápice do egoísmo.” 

 

País pode ter 200 mil mortes, diz médico de força-tarefa da Casa Branca 

Ontem, Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e médico que comanda a força-tarefa da Casa Branca, elogiou a decisão de Trump e disse que os EUA devem registrar “milhões de casos” de coronavírus. No entanto, segundo ele, o mais assustador é que o número de mortos, provavelmente, chegará a seis dígitos.

“Eu diria entre 100 mil e 200 mil (mortes)”, disse. “Vamos ter milhões de casos. O número que eu dei é baseado em modelos. Mas ão quero me apegar a eles, porque a pandemia é volátil.”

A médica Deborah Birx, que também é membro da força-tarefa da Casa Branca contra a covid-19, disse que continuar com o distanciamento social é “um grande sacrifício para todo mundo”, mas que salvará “centenas de milhares de vidas”.  / NYT, REUTERS e WP

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