Steven Hirsch/Reuters
Steven Hirsch/Reuters

'A prisão é exaustiva', diz falsa herdeira que enganou Nova York ao deixar cadeia

Imigrante russa dizia ser uma herdeira alemã enquanto praticava fraude após fraude levando uma vida glamorosa nos Estados Unidos

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 19h30

NOVA YORK - Anna Sorokin, uma imigrante russa que dizia ser uma herdeira alemã enquanto praticava fraude após fraude levando uma vida glamorosa nos Estados Unidos, foi libertada da prisão na quinta-feira, 11, após passar 3 anos e 4 meses presa. Acusada de ter roubado cerca de US$ 275 mil aplicando golpes em hotéis de luxo, famosos, bancos e até nos amigos, Sorokin voltou ao Instagram para falar da sua experiência na cadeia: "Vocês não sabem como a prisão é exaustiva", escreveu em post, com uma foto dela deitada em uma cama, de óculos escuros. 


Em uma segunda postagem, Anna compartilhou uma cena icônica do filme Instinto Selvagem, com Sharon Stone usando um minivestido branco colante. A legenda dizia "Pleading the fifth" ("pleiteando a quinta", em tradução livre), em uma possível referência à Quinta Emenda à Constituição dos EUA, que trata, entre outros, das garantias contra o abuso da autoridade estatal.

Em um post anterior, ela endereçou uma carta ao produtor de cinema Harvey Weinstein, que está na prisão por agressão sexual. "Caro Harvey, às vezes você se sente como o personagem principal de Harvey, Interrupted?" perguntou Anna, que também se comparou a outros criminosos famosos como Lori Loughlin e Bill Cosby.

Sorokin, que se apresentava com a identidade falsa de Anna Delvey, se passou por uma rica herdeira que fez amigos ricos e famosos na cidade de Nova York e aplicou golpes entre novembro de 2016 e agosto de 2017, por meio de documentos falsos. Nesse período, Anna conseguiu viajar em jatos particulares de graça e ostentou uma vida de luxo em Manhattan, sem nunca pagar as contas.

A russa, hoje com 30 anos, inventou uma nova identidade ao chegar aos Estados Unidos em 2016, apresentando-se como uma herdeira quando na verdade era filha de um ex-motorista de caminhão russo que se mudou para a Alemanha quando tinha 16 anos.

Considerada culpada por oito dos dez crimes denunciados pela procuradoria, Sorokin foi condenada em maio de 2019, entre 4 a 12 anos de prisão. Durante o processo no tribunal, por não gostar de usar os macacões da detenção, a defesa de Anna chamou um estilista para vesti-la. Os looks diários de Sorokin se tornaram assunto em uma conta no Instagram. 


Antes de dar quase a sentença máxima possível, a juíza Diane Kiesel, da Suprema Corte do Estado de Nova York, em 2019, repreendeu Sorokin por ter ficado “cega pelo brilho e glamour da cidade de Nova York”. 

Na prisão, Anna declarou ao jornal americano New York Times que não estava “pedindo desculpas”. “A minha motivação nunca foi o dinheiro”, disse Sorokin. “Eu tinha sede de poder.” 

Na quinta-feira, ela conseguiu “liberdade condicional durante 10 anos”, afirmou sua advogada Audrey A. Thomas à agência France Presse. /AFP e REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.