AFP PHOTO / Federico PARRA
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Na fronteira da Venezuela, agência da ONU se prepara para atuar no país

Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas reforça estoque de suprimentos e espera receber permissão das autoridades; UE não reconhece Juan Guaidó como presidente interino, mas pede eleições democráticas no país

Jamil Chade, Enviado Especial a Davos / Suíça, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2019 | 10h07

DAVOS, SUÍÇA - O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (ONU) reforçou seus estoques de suprimentos nas fronteiras da Venezuela e aguarda o fim do regime de Nicolás Maduro para entrar no país com alimentos e atender a uma eventual deterioração da situação. A informação foi revelada ao Estado por David Muldrow Beasley, diretor-executivo do programa e ex-governador do Estado americano da Carolina do Sul.

De acordo com Beasley, a agência da ONU “está pronta para entrar” assim que receber um sinal verde por parte das autoridades. Ele disse acreditar que “as próximas horas e dias” serão decisivos para a crise venezuelana. “Eu já disse há alguns meses que a Venezuela é uma tempestade perfeita e a crise que ela pode gerar na região é muito grande”, ressaltou.

Questionado pelo Estado, o presidente do Equador, Lenín Moreno, admitiu que a situação na região é de tensão. Ele disse esperar que os militares venezuelanos não promovam uma reação violenta. “O Exército não pode disparar contra seu povo”, declarou.

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Protestos foram convocados pela oposição e receberam apoio dos Estados Unidos.

Investigação de mortes

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu por meio de declaração emitida em Davos, na Suíça, uma investigação “transparente e independente” sobre as mortes no protestos de quarta-feira em diversas regiões da Venezuela. Ao menos 13 pessoas foram mortas nas manifestações, segundo a organização.

Guterres pediu que todos os envolvidos diminuam as tensões e que façam o possível para prevenir a violência e evitar qualquer escalada da hostilidade. Para ele, é preciso abordar a prolongada crise do país sem desrespeitar o Estado de Direito e os direitos humanos.

A União Europeia (UE) não seguiu a decisão dos EUA de reconhecer Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, como o presidente interino do país, mas o bloco econômico europeu pediu a restauração política e que a democracia fosse respeitada.

A porta-voz de política externa da UE, Federica Mogherni, afirmou que a voz dos venezuelanos pedindo por democracia “não pode ser ignorada”. “A UE pede pelo início imediato de um processo político levando a eleições livres em conformidade com a ordem institucional.”

Em tuíte publicado em francês e espanhol, o presidente da França, Emmanuel Macron, aclamou a “valentia” dos venezuelanos que “caminham por sua liberdade”. “Depois da eleição ilegítima de Nicolás Maduro em maio de 2018, a Europa apoia a restauração da democracia”, escreveu. / COM INFORMAÇÕES DA AP, AFP, EFE

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