REUTERS/Larry Downing/File Photo
REUTERS/Larry Downing/File Photo

Análise: Mercenários, novos atores do conflito venezuelano

Ao menos duas empresas, uma da Rússia outra dos EUA, teriam despachado times completos de seus guerreiros de aluguel para Caracas

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2019 | 05h00

Mercenários, soldados profissionais, aqueles sem bandeira que vendem caro sua capacidade de combate, estão bem perto de se tornarem protagonistas no conflito da Venezuela. Ao menos duas empresas, uma da Rússia outra dos EUA, teriam despachado times completos de seus guerreiros de aluguel para Caracas. 

A rigor e comprovadamente, só os russos do Grupo Wagner já estariam em ação, garantindo a segurança do primeiro escalão do governo do presidente Nicolás Maduro e a da sua família. Os grandalhões “wag” chegaram em março de 2018, antes das eleições de maio. 

Na ocasião, a missão era garantir a integridade de Maduro, sob ameaça de vir a ser detido, ou mesmo sequestrado, por oposicionistas infiltrados nos serviços de segurança. Não eram muitos. Mas a maioria tem o treinamento da Spetsnaz, a elite das forças de Moscou – atiradores de precisão, peritos em luta marcial, no uso de facas, capazes de matar com a tampa de uma caneta esferográfica; mergulhadores, paraquedistas.

O salário é de até US$ 10 mil mensais, mais um bônus ao final do contrato. Uma análise da inteligência da Colômbia indica que o efetivo da Wagner deslocado para a Venezuela seria de 80 homens, talvez 2 ou 3 mulheres. Não usam uniformes, nem insígnias. Utilizam o fuzil AkmS, a versão mais leve do Kalashnikov AK-45, calibre 7.62mm, e a pistola especial Gyurza, 9mm.

 O engenheiro Juan Guaidó, presidente autodeclarado, não tem nada parecido. Ainda não. Erik Prince, fundador da Blackwater, com vasta e truculenta atuação no Iraque e no Afeganistão, estaria negociando uma consultoria de segurança e a modelagem de uma nova estrutura de Defesa. A informação vazou, todos os envolvidos trataram de providenciar desmentidos. 

Reforço

Formalmente, a Rússia mantém em território venezuelano, além dos adidos diplomáticos, cerca de 100 técnicos das Forças Armadas. Chegaram em um Ilyushin-62 seguido de um cargueiro An-124, com a missão de recuperar o farto equipamento vendido à Venezuela desde 2005 – 24 caças supersônicos Su-30, tanques T-72 com canhões de 125mm, blindados sobre rodas BTR, e sobretudo treinar operadores das três baterias do temível sistema S-300, de mísseis antiaéreos, considerado o mais avançado do mundo, no mesmo nível de precisão do Patriot-4, dos EUA – mas com alcance maior, 400 km.

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