MUNIR UZ ZAMAN / AFP
MUNIR UZ ZAMAN / AFP

Angelina Jolie pede para Mianmar suspender perseguição a rohingyas

Atriz e enviada especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados visitou campos de refugiados em Bangladesh

Redação, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2019 | 19h34

KUTUAPALONG, BANGLADESH - A atriz americana Angelina Jolie fez um apelo nesta terça-feira, 5, para que Mianmar demonstre uma "verdadeira vontade" de deter o ciclo de violências contra os rohingyas, em visita aos campos de refugiados de Bangladesh.

Jolie chegou na segunda-feira como enviada especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) a Bangladesh, um país pobre do sudeste asiático onde quase 1 milhão de rohingyas vivem em enormes barracas depois de terem fugido de perseguições contra sua comunidade muçulmana no vizinho Mianmar.

"Chamo as autoridades de Mianmar a mostrar a verdadeira vontade necessária para pôr fim ao ciclo de violência e de deslocamentos, e a melhorar as condições para todas as comunidades no Estado de Rakain", de onde provêm os rohingyas, disse a atriz.

Durante sua visita aos acampamentos do distrito de Cox's Bazar (sul), que chegaram a abrigar 740 mil pessoas no fim de 2017, Angelina Jolie teve uma série de encontros com refugiados, entre os quais mulheres violentadas por militares birmaneses.

"Foi profundamente perturbador encontrar famílias que por toda a vida só conheceram a perseguição e ser apátridas, que contam que foram tratadas como gado", declarou a atriz, de 43 anos, à imprensa.

Refúgio

Em agosto de 2017, ameaçados pelo Exército e por milícias budistas, mais de 720 mil rohingyas fugiram de Mianmar para se refugiar em Bangladesh, onde vivem em condições precárias em enormes acampamentos.

Bangladesh e Mianmar assinaram um acordo que prevê a repatriação de 2.260 rohingyas a partir de 15 de novembro ao ritmo de 150 por dia. Mas a ONU considera que não estão dadas as condições para o retorno dos rohingyas.

Jolie encerrará sua viagem a Bangladesh na quarta-feira com uma reunião com a primeira-ministra Sheikh Hasina, informou a ONU em um comunicado. / AFP 

 

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