Mandel Ngan/Afp
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Com Biden na frente, Trump faz blitz judicial; Justiça rejeita ações na Geórgia e Michigan

Na reta final da apuração dos votos, campanha do presidente anunciou diferentes esforços legais para tentar impedir aparente vitória do democrata no colégio eleitoral

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 15h43
Atualizado 05 de novembro de 2020 | 21h19

WASHINGTON - A equipe de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou ações judiciais em quatro Estados decisivos  - Geórgia, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin - para o resultado final da disputa eleitoral deste ano. No momento, o democrata Joe Biden lidera a disputa com 253 votos no colégio eleitoral, enquanto Trump tem 214.   

Na tarde desta quinta-feira, juízes nos Estados da Geórgia e de Michigan recusaram as ações da campanha republicana. Os republicanos têm reclamado de falta de transparência no processo de contagem das cédulas e denunciam uma tentativa de fraude eleitoral por parte dos democratas, por meio de "votos ilegais" pelo correio. Até o momento, nenhuma comprovação de fraude foi apresentada. 

Em uma mensagem no Twitter, marcada pela rede social como contendo informações incorretas e enganosas, Trump escreveu que todos os recentes Estados vencidos por Biden "serão legalmente contestados por fraude eleitoral".  Em um pronunciamento na noite desta quinta-feira, da Casa Branca, Trump também prometeu "muitos processos" em uma eleição que ele diz ter sido "fraudada". 

A equipe do presidente abriu processos em Michigan, Geórgia e Pensilvânia para interromper a contagem de votos, e pediu a recontagem em Wisconsin, onde Trump vencia no início da apuração na noite de terça, mas foi derrotado por Biden na reta final. A mesma coisa aconteceu no Michigan.

Na Pensilvânia, a primeira discussão apresentada foi pelo método de contagem de votos - Trump não quer que votos que tenham chegado no dia da eleição sejam contados depois que as urnas fecharam, como prevê a legislação estadual.

Na noite desta quinta-feira, a campanha entrou com um pedido de liminar para suspender a contagem de votos na Filadélfia, nesse Estado, alegando que seus observadores não estavam conseguindo acessar a mesa de apuração. A Justiça no Estado havia concedido uma pequena vitória à campanha, ao concordar com seu  pedido de mais cedo, para que os observadores republicanos pudessem ficar mais perto da mesa. No entanto, a equipe do presidente alegou que a ordem não estava sendo cumprida e os observadores estariam com dificuldades de se aproximar mais da apuração, por isso pediam a suspensão da contagem.

Os democratas entraram com uma apelação alegando que a campanha de Trump estava tentando atrasar a apuração na Filadélfia, um reduto democrata fundamental para a tentativa de Biden de capturar o Estado e, com ele, a presidência. O pedido de liminar dos republicanos pode ser julgado na noite desta quinta-feira.  Os republicanos também prometeram entrar com um processo alegando fraude eleitoral no Estado de Nevada.  

O presidente diz que há muitas provas, mas, como de costume, não ofereceu nenhuma evidência. Os resultados nesses Estados serão determinantes para o próximo ocupante da Casa Branca chegar a 270 votos no colégio eleitoral e ser eleito o 46º presidente. 

Há semanas, o presidente repete, sem mostrar evidências, que há fraude na eleição, na tentativa de deslegitimar uma eventual vitória de seu oponente, que aparecia à frente nas pesquisas e vem confirmando a vantagem. Ele reforçou essa mensagem em seu pronunciamento desta noite, na sala de imprensa da Casa Branca. 

Trump também tem dito que a eleição pode ir parar na Suprema Corte dos EUA, como aconteceu no ano de 2000 na disputa entre George W. Bush e Al Gore. Na ocasião, o Partido Democrata pediu recontagem dos votos na Flórida. Após o processo, a Corte decidiu em favor de Bush, mas o processo atrasou o resultado em 35 dias.

 

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