Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Após ocupação, grupo de aliados de Guaidó deixa embaixada da Venezuela em Brasília

Representantes do presidente autoproclamado Juan Guaidó entraram na representação diplomática e enfrentaram reação de funcionários e de parlamentares brasileiros de oposição

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2019 | 18h28
Atualizado 14 de novembro de 2019 | 16h12

BRASÍLIA - Após mais de 12 horas, um grupo ligado ao autoproclamado presidente venezuelano, Juan Guaidó, deixou a Embaixada da Venezuela em Brasília. Na madrugada desta quarta-feira, 13, representantes de Guaidó tiveram acesso às instalações da representação diplomática e enfrentaram uma reação de funcionários da embaixada e de parlamentares brasileiros de oposição.

Na versão deles, funcionários da representação permitiram que entrassem. Representantes ligados a Maduro, porém, afirmam que houve uma invasão.

O grupo de Guaidó deixou o local pelos fundos por volta das 17h30, saindo por um portão atrás do prédio administrativo e entrando em um ônibus. Eles foram escoltados pela Polícia Militar. Em frente à embaixada, militantes de partidos e movimentos de esquerda cobravam a saída e punição jurídica do grupo.

Houve confusão no período da manhã e troca de ataques com apoiadores de Guaidó e do presidente Jair Bolsonaro, estes em minoria. Duas pessoas foram detidas pela Polícia Militar por agressão e, após ouvidas, foram liberadas. A PM e o Itamaraty não se manifestaram oficialmente.

O Itamaraty garantiu aos apoiadores de Guaidó que eles poderiam sair em segurança e sem punições, como prisão ou detenção policial. No local, o coordenador de Privilégios e Imunidades do Itamaraty, Maurício Corrêia, negociou a saída com o ministro conselheiro acreditado pelo Brasil, Tomas Silva, representante de Guaidó.

A manifestação do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais repudiando a interferência e a pressão contra a ocupação foi apontada como determinante para a resolução do impasse.

O encarregado de Negócios da Venezuela no Brasil, Freddy Meregote, comemorou a saída do grupo. "Hoje, eficazmente, conseguimos reverter o ataque genocida, inclusive, de parte dos inimigos do processo revolucionário, por um grupo de pessoas que são inimigas do processo bolivariano da Venezuela", declarou o representante, após a saída dos apoiadores de Guaidó do local.

"Foi violentado o espaço venezuelano no Brasil, o que é perigoso", afirmou Meregote, classificando a ação como um ato "desumano, agressivo e terrorista".

O representante venezuelano afirma que caberá ao governo brasileiro encaminhar punições jurídicas ao grupo de Guaidó e garantir a segurança dos funcionários da embaixada. 

"A dificuldade começa com o reconhecimento de um governo fictício, um governo que não existe, e logicamente isto é o que vem com a presença de uma suposta embaixadora no Brasil", afirmou Meregote, em referência à embaixadora indicada por Guaidó no País, María Tereza Belandria.

Segundo o venezuelano, havia pessoas de outras nacionalidades no grupo que entrou na embaixada, o que, para ele, é "preocupante". Uma mulher identificada como boliviana passou mal durante o dia e foi socorrida pelos bombeiros. Os ocupantes colaram cartazes com a foto de Juan Guaidó nas instalações da embaixada, material que foi retirado mais tarde. 

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