Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Apoiadores de Guaidó invadem embaixada da Venezuela em Brasília

Grupo ligado ao opositor de Nicolás Maduro consegue acesso à representação diplomática horas antes do início da Cúpula dos Brics; chanceler venezuelano diz que local foi invadido à força e cobra governo brasileiro por segurança

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2019 | 08h23
Atualizado 13 de novembro de 2019 | 17h18

BRASÍLIA - Representantes do opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente da Venezuela pelo Brasil, invadiram a embaixada do país em Brasília, na madrugada desta quarta-feira, 13, horas antes do início das atividades da 11.ª Cúpula do Brics, que reúne os líderes de Rússia, Índia, China e África do Sul, países que apoiam a permanência de Nicolás Maduro no poder. 

Nesta tarde, não há mais representantes de Guaidó dentro do prédio da embaixada, mas eles continuam nas dependências da representação diplomática. O ministro-conselheiro acreditado pelo Brasil, Tomas Silva, está reunido com o grupo de Guaidó.

 Ele alegou que o grupo foi convidado por funcionários da embaixada e não houve invasão. Já o encarregado de Negócios da Venezuela no Brasil, Freddy Meregote, classificou a ação como um "assédio" contra a embaixada.

A embaixadora de Guaidó, María Teresa Belandria, não está no País. Em Caracas, o governo Maduro descreveu o ato como “invasão”, mesmo termo usado pelo governo brasileiro ao tratar do caso.

De acordo com comunicado divulgado pela embaixadora, um grupo de funcionários da representação diplomática decidiu abrir as portas e entregar as chaves da embaixada voluntariamente, bem como reconhecer Guaidó como legítimo presidente. 

“Ao entrar na sede, verificamos que um grupo de funcionários estava morando na residência oficial, contígua a seção administrativa. Eles foram notificados sobre a ação de seus companheiros e, imediatamente, foram convidados a se incorporar ao trabalho na embaixada, com todos seus direitos trabalhistas garantidos”, disse a embaixadora na nota.

Reveja a entrevista da embaixadora de Guaidó no Brasil aos repórteres do ‘Estado’:

No texto, María Teresa pediu também que os demais funcionários da embaixada e dos sete consulados venezuelanos no País adotem a mesma decisão e “incorporem seus esforços trabalhistas em prol de todos os venezuelanos residentes no Brasil”.

No Twitter, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, contestou a versão da representante de Guaidó. “Denunciamos que as instalações de nossa embaixada em Brasília foram invadidas pela força ao amanhecer. Responsabilizamos o governo brasileiro pela segurança de nosso pessoal e instalações”, tuitou . 

Mergote convocou a solidariedade dos “movimentos sociais e partidos políticos” brasileiros para que rejeitem a entrada do grupo pró-Guaidó. Ele também falou em violação de direitos humanos por parte dos apoiadores de Guaidó.

Leal a Maduro, adido militar fica do lado de fora

Houve um princípio de confusão e a Polícia Militar foi acionada. O adido militar chavista, leal ao regime, ficou do lado de fora da embaixada. “Os dois grupos estão lá dentro, tentando encontrar uma solução pacífica”, disse o tenente Zé Fonseca, da Polícia Militar (PM), na entrada da sede diplomática.

O coordenador de Privilégios e Imunidades do Itamaraty, Maurício Corrêia, está no local e comunicou aos integrantes da embaixada que o governo brasileiro nada pode fazer no momento. O representante do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e o conselheiro de Guaidó conversam do lado de fora do prédio, do portão para dentro.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que a representação diplomática foi invadida e que houve um violento confronto nas instalações. “Há indícios de que a polícia de Brasília ou o próprio Ministério das Relações Exteriores tenham facilitado e protegido a ação dos golpistas que tentaram tomar esse espaço à força”, afirmou Pimenta.

É a primeira vez que eles entraram na sede, ainda controlada pelos chavistas, desde que o presidente Jair Bolsonaro aceitou as credenciais da equipe de Guaidó, no início do ano. A diplomacia de Guaidó vinha tentando tomar o prédio e desalojar os funcionários enviados por Maduro - que não tem mais relacionamento diplomático com o Brasil.

Apesar de inédito no Brasil, representantes de Guaidó já assumiram o controle de sedes diplomática em outros países, como os Estados Unidos, onde desde maio Carlos Vecchio passou a controlar a embaixada de Washington.

Maduro pede que milícias civis patrulhem ruas

Em pronunciamento na televisão na terça-feira, Maduro fez um apelo às milícias civis para que patrulhem as ruas do país em meio às ameaças de protestos da oposição.

Para Entender

Venezuela: conheça os 6 generais que mantêm Maduro no poder

Mesmo com a pressão internacional e os protestos dentro do país, Nicolás Maduro continua no poder principalmente graças ao militares fieis ao chavismo

Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, convocou uma manifestação contra o regime para sábado, 16.

Maduro, sentado entre líderes militares, ordenou que os cerca de 3,2 milhões de civis venezuelanos que integram milícias intensifiquem as rondas nas ruas de todo o país.

O presidente chavista disse que as mesmas forças “imperialistas” que derrubaram o presidente boliviano Evo Morales no domingo, 10, querem tirá-lo do poder. / COM AP, AFP e EFE, COLABOROU DANIEL WETERMAN 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.