John Moore / Getty Images / AFP
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Auditoria diz que governo Trump não sabe quantas crianças separou de seus pais

Segundo relatório, administração separou milhares a mais do que foi divulgado, mas não é possível saber número exato

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2019 | 19h01

WASHINGTON - A administração Trump separou milhares de crianças imigrantes de seus pais na fronteira a mais do que o que foi tornado público inicialmente, segundo relatório de uma auditoria divulgado nesta quinta-feira, 17. O levantamento mostra que o sistema de rastreamento federal dessas crianças tem sido tão ineficiente e pobre que não é possível saber com exatidão quantas foram separadas de suas famílias. 

“O número total de crianças separadas pelas autoridades de imigração de seus pais ou responsáveis é desconhecido”, aponta o relatório publicado pelo Escritório do Inspetor Geral do Departamento de Saúde e Serviços Humanos.

De acordo com o relatório, as crianças separadas incluem 118 apreendidas entre julho e início de novembro, ou seja, após a administração ter supostamente encerrado a política de separação de famílias que provocou um terremoto político e indignação pública nos EUA. 

O relatório estima que milhares de outras crianças foram separadas no início da administração Trump, meses antes de o governo anunciar que faria a separação para poder processar criminalmente seus pais, entre abril e maio. 

Apesar de administrações anteriores também terem separado menores de adultos na fronteira em algumas ocasiões – geralmente sob suspeita de a criança ter sido sequestrada ou estar indo ao encontro de sua família que vive ilegalmente no país – o relatório mostra um grande aumento das separações sob o governo Trump. 

Com base em registros disponíveis, crianças representavam 0,3% de todos os menores desacompanhados levados sob a custódia do governo em 2016, já perto do fim da administração Obama. Em agosto de 2017, primeiro ano de Trump, esse porcentual aumentou para 3,6%

O relatório diz que um grande número de crianças separadas foram liberadas da custódia federal antes de uma ordem da Justiça, de junho, exigindo que agentes federais seguissem com cuidado o status das 2.737 crianças separadas e oferecessem relatórios regulares sobre sua situação a um juiz federal. 

“Milhares de crianças podem ter sido separadas durante uma onda que começou em 2017, antes dessa solicitação do tribunal”, aponta a auditoria. 

No ano passado, o Departamento de Segurança Interna produziu um relatório não publicado documentando o caos causado pela separação de famílias resultado da política de “tolerância zero” de Trump. Entre outros pontos, o departamento descobriu que 860 crianças imigrantes foram mantidas em celas da patrulha de fronteira por mais de três dias – o limite permitido por lei. Descobriu ainda que “passos inadequados” foram tomados para descobrir as identidades de crianças pequenas demais para falar. 

Em junho, o Departamento de Saúde abriu uma grande cidade de tendas em Tornillo (Texas) para abrigar crianças imigrantes que entraram no país sozinhas, abrigando cerca de  6 mil delas. Após repetidas denúncias, incluindo sobre funcionários contratados sem ter o histórico  checado, o departamento informou na semana passada que removeu todas as crianças e fechou a cidade de tendas. / W. POST e AFP 

 

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