AFP PHOTO / INTI OCON
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Bianca Jagger denuncia 'guerra suja' contra o povo da Nicarágua

Ex-mulher do líder dos Rolling Stones, Mick Jagger, disse que o governo de Ortega 'está matando (os jovens) como cachorros'

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 20h59

MANÁGUA - A ex-modelo nicaraguense e ativista dos direitos humanos Bianca Jagger acusou o presidente Daniel Ortega de dirigir "uma guerra suja" contra os participantes de uma onda de protestos que deixou mais de 80 mortos.

"Aqui o que temos é uma guerra suja" contra estudantes e uma população civil desarmada. "Aqui não temos uma revolução sandinista, temos uma demanda cívica" de justiça e democracia, disse Bianca em entrevista coletiva em um hotel de Manágua.

Visivelmente comovida, a ativista, ex-mulher do líder dos Rolling Stones, Mick Jagger, disse que o governo de Ortega "está matando (os jovens) como cachorros" com forças antimotins, "preparadas como em uma guerra".

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A ativista participou da apresentação de um relatório da Anistia Internacional (AI), que documenta a violência e o uso de grupos paramilitares afins ao governo para reprimir os protestos iniciados em 18 de abril.

Assegurou que os jovens que protestam nas ruas e nas universidades buscam que a Nicarágua tenha eleições livres e que Ortega e sua mulher, que também é vice-presidente, Rosario Murillo, deixem o poder.

"O momento chegou para que peçamos e obtenhamos justiça (...) Hoje digo a vocês que a única solução que existe para a Nicarágua é que Daniel Ortega e Rosario Murillo se vão", destacou.

A ex-mulher de rock Mick Jagger e a diretora para as Américas da Anistia Internacional, Ericka Guevara-Rosas, asseguraram que, na segunda-feira, foram testemunhas de um ataque de grupos de choque pró-governo contra estudantes que estavam na Universidade de Engenharia.

"Ouvimos morteiros, (disparos de) bala e depois (vimos) membros da população que chegaram a ajudar os estudantes em motocicletas", enquanto estavam reunidos com o reitor da Universidade Centro-Smericana (UCA), recordou Bianca.

"Falem, por favor, não sejam tão covardes, denunciem o regime de Ortega e Murillo" por violações dos direitos humanos, declarou a ex-modelo aos líderes latino-americanos.

Também pediu ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, para convocar a assembleia permanente da organização para discutir a situação da Nicarágua.

O governo e a oposição concordaram nesta terça-feira em retomar um diálogo, no qual o governo aceitou discutir uma agenda para a democratização do país, que, entre outros aspectos, pede a renúncia imediata de Ortega e Murillo. / AFP 

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