Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro critica situação argentina e diz que Chile 'caminha para mesma direção' 

Em três diferentes ocasiões, presidente falou de forma negativa sobre a Argentina e criticou o governo de Alberto Fernández por receber o ex-presidente boliviano Evo Morales

Julia Lindner e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2020 | 20h27

BRASÍLIA - Pela terceira vez no dia, o presidente Jair Bolsonaro falou de forma negativa sobre a Argentina e disse que o país vizinho "vai ter dificuldade" durante o mandato do presidente Alberto Fernández. Apesar disso, Bolsonaro disse querer o bem dos argentinos e "esperar que o país dê certo".

Bolsonaro também afirmou que aliados da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) chegaram ao poder na Argentina e, "com a volta dessas pessoas à política, (o país) vai ter dificuldade". Ele fez referência à vice-presidente argentina, Cristina Kirchner. A fala ocorreu durante transmissão ao vivo em redes sociais que ele costuma fazer todas as quintas-feiras.

Pouco antes, em uma cerimônia no Palácio do Planalto, Bolsonaro declarou que "nós não podemos deixar o Brasil chegar na situação que a Argentina está". Apesar das críticas, Bolsonaro falou, no mesmo discurso, que "não temos uma briga com a Argentina" e é possível haver amizades na política internacional.

Bolsonaro também falou que acredita que um oposicionista pode suceder o seu aliado, Sebastian Piñera, no comando do Chile. Piñera passou por dois meses de protestos contra o seu governo no fim do ano passado e sua popularidade chegou nesta quinta-feira a 6% - a pior avaliação de um dirigente do país desde o retorno da democracia, em 1990, segundo pesquisa do Centro de Estudos Públicos (CEP).

"Um grande e próspero país como o Chile está caminhando para o caos e socialismo", criticou o presidente brasileiro.

Mais cedo, durante uma transmissão ao vivo em redes sociais, Bolsonaro disse que a Argentina tornou-se um "refúgio desse tipo de gente, socialista, que não quer o futuro do seu país, que quer que se exploda seu povo, que usa seu povo como massa de manobra para atingir seu objetivo que é o poder absoluto". O presidente se referia à acolhida oferecida pelos argentinos para o ex-presidente da Bolívia Evo Morales, que renunciou ao cargo após 13 anos no poder.

Nas duas ocasiões, Bolsonaro reforçou que os Estados Unidos optaram por apoiar o Brasil no processo de entrada do País na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A nova posição americana escanteou a Argentina, antes favorita sobre o Brasil para o ingresso na OCDE.

"A gente torce para que a Argentina dê certo, mas a gente sabe que pelo quadro político que está lá vão ter dificuldades. Fizeram a opção em eleger quem os colocou na situação de desgraça em que se encontram", disse Bolsonaro sobre o vizinho que é um dos maiores parceiros comerciais do Brasil.

As falas do presidente da República foram feitas em frente a crianças venezuelanas beneficiadas pela Operação Acolhida, ação humanitária das Forças Armadas que acolhe imigrantes venezuelanos nas cidades de Paracaima (RO) e Boa Vista.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.