REUTERS/Toby Melville
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Boris Johnson assumirá governo na presença da rainha Elizabeth II

​Novo líder ​do Partido Conservador se tornará​ ​primeiro-ministro do ​R​eino Unido​, efetivamente,​ na quarta-feira, 24, após a renúncia de Theresa May e a incumbência da monarca para que ele forme um novo governo

Célia Froufe, Correspondente / Londres

23 de julho de 2019 | 09h00

LONDRES - Decidido que Boris Johnson será o novo primeiro-ministro do Reino Unido, conforme apuração dos votos do Partido Conservador divulgada nesta terça-feira, 23, seguem-se os trâmites formais para a transmissão de cargo, ainda sob a tutela de Theresa May. Ela renunciará formalmente ao cargo na quarta-feira, perante a rainha Elizabeth II. Em seguida, seu sucessor também terá um encontro com a monarca.

No Palácio de Buckingham, Johnson será oficialmente questionado pela rainha se aceita formar um governo em nome de "Sua Majestade". A cerimônia costuma ser restrita, com apenas divulgações de fotos oficiais do encontro. 

O Estadão/Broadcast apurou com fontes de Downing Street que todo o processo se dará rapidamente e há expectativa de um pronunciamento de May na tarde desta terça ou na quarta-feira quando deixar o número 10 de Downing Street, residência oficial dos premiês - essa definição ficará a cargo do vitorioso. 

Já Johnson deverá fazer seu primeiro pronunciamento como o novo primeiro-ministro no Parlamento na quarta-feira, perto da hora do almoço (manhã em Brasília), numa sessão que marcará o início do recesso de verão dos trabalhos Legislativos no Reino Unido.

May decidiu deixar o cargo após sua proposta de acordo do Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), ser derrotada três vezes em votações no Parlamento. Os deputados não concordaram com os planos da premiê, mas deixaram claro que o que mais detestariam ver seria um divórcio sem acordo. 

Johnson foi contundente ao dizer que a separação será concretizada até 31 de outubro, nova data-limite para o Brexit dada pela UE. Nas palavras do novo primeiro-ministro durante a campanha, isso será feito “aconteça o que acontecer” e “com ou sem acordo” com o bloco.

Temendo que Johnson fosse vitorioso, na semana passada o Parlamento aprovou uma medida que proíbe o primeiro-ministro de suspender a atual legislatura para que determine o divórcio sem um acordo com o bloco. A manobra tem alta dose de precaução, pois os deputados temiam uma ação desse tipo por parte do novo governante. 

Pelo modelo político britânico, uma saída do Brexit sem um acordo não seria possível sem o "consentimento" da rainha, mas o Parlamento preferiu não pagar para ver. Até porque não se conhece a opinião de Elizabeth II sobre o divórcio com os demais países europeus - apesar de ela ter liberdade para expressar suas opiniões, dificilmente isso ocorre para não aprofundar uma crise ou uma separação entre a população e o governo. O papel da majestade é o de unir o país e nunca trabalhar para que haja uma corrosão.

Os atuais ministros que ficarem em seus postos na troca de governo não precisarão passar por novas avaliações como quando chegam ao posto - a questão gerava dúvidas até entre experientes articuladores políticos. 

Há a expectativa, no entanto, de que muitos optem pelo desligamento de seus cargos por não concordarem com a visão mais radical de Johnson em relação ao Brexit. O primeiro evento internacional do calendário fixo que o novo premiê do Reino Unido deverá ter é a reunião de líderes do grupo das sete economias mais avançadas do globo, o G-7, em agosto.

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