Brasil envia missão humanitária ao Haiti

Brasil envia missão humanitária ao Haiti

Trinta e dois bombeiros e dez toneladas de equipamentos de emergência e medicamentos foram enviados após terremoto que deixou mais de 2.200 mortos; problema em avião adia chegada

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2021 | 16h05

Um contingente de bombeiros e cerca de 10 toneladas de ajuda humanitária partiram neste domingo, 22, de Brasília rumo ao Haiti para reforçar as ações de emergência após o terremoto que devastou o sudoeste do país há uma semana, deixando mais de 2.200 mortos.

No início da noite, uma “questão técnica” levou a FAB a substituir a aeronave que havia feito uma escala na Base Aérea do Cachimbo, no Pará. O problema não foi detalhado, mas a chegada a Porto Príncipe, antes prevista para este domingo, foi adiada para esta segunda-feira.

"A solidariedade é uma marca do povo brasileiro", disse o presidente Jair Bolsonaro na base aérea de Brasília, onde se despediu da delegação humanitária que viaja a bordo de um KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira (FAB).

"Há menos de uma semana recebi informação de um pedido dos nossos irmãos haitianos, rapidamente as Forças Armadas com nosso corpo diplomático, outras organizações, essa missão foi rapidamente programada", relatou o presidente junto ao ministro da Defesa, Walter Braga Netto.

O contingente conta com 32 bombeiros, "quase sete toneladas de material e equipamentos de emergência" e "mais de 3,5 toneladas de medicamentos e insumos estratégicos" para situações de desastres, entre eles "macas, colares cervicais, biombos" e insulina, informou o Ministério da Defesa em nota.

"A população do Haiti sabe que sempre contou e sempre poderá contar com o espírito fraterno" do Brasil, expressou Braga Netto.

O Brasil liderou a  Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), mobilizada de 2004 até 2017 para apoiar as forças policiais haitianas na missão de manter a ordem neste convulsionado e paupérrimo país.

O número de mortos no Haiti pelo terremoto de 14 de agosto subiu para 2.207, anunciaram no domingo (22) as autoridades do país caribenho, onde a ajuda chega lentamente às áreas afetadas devido à violência das gangues.

“Novos corpos foram encontrados no sul. O balanço dos três departamentos já sobe para 2.207 mortos, 344 desaparecidos e 12.268 feridos”, diz o relatório da Proteção Civil publicado no domingo. A contagem anterior era de 2.189 mortos.

Oito dias após o desastre, as operações de busca continuam nos escombros, mas a chance de encontrar sobreviventes diminui a cada hora.

Cerca de 600 mil pessoas foram diretamente afetadas pelo terremoto de magnitude 7,2 e precisam urgentemente de ajuda humanitária, segundo as autoridades haitianas. Levar comida e água para as pessoas afetadas é um desafio logístico em face dos ataques criminosos nas estradas.

"Temos um problema de segurança que está cada vez mais evidente", disse à AFP Jerry Chandler, diretor de Proteção Civil do Haiti.

Desde o início de junho, é impossível percorrer com segurança o trecho de dois quilômetros da rodovia federal que corta a área de Martissant, um bairro pobre de Porto Príncipe, capital do Haiti, e um campo de batalha para gangues.

Com destruição e danos particularmente graves em áreas rurais remotas, as autoridades haitianas estão se concentrando na entrega de ajuda humanitária por via aérea, por meio de um helicóptero da ONU e oito aviões fornecidos pelos Exército americano. / AFP

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