Andy Buchanan/AFP
Andy Buchanan/AFP

Cenário: Após vitória conservadora, nacionalistas buscarão independência dentro do Reino Unido

Triunfante vitória de Boris Johnson permitirá que ele tire o Reino Unido da União Europeia no próximo mês, mas poderá também levar ao desmantelamento do vínculo que une Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda do Norte por séculos 

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2019 | 12h00

BELFAST/GLASGOW - Os resultados das eleições gerais britânicas foram considerados uma ampla vitória para os nacionalistas da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda - e podem significar o fim do  Reino Unido

O triunfante resultado do conservador Boris Johnson permitirá que ele tire o Reino Unido da União Europeia no próximo mês, mas poderá também levar ao desmantelamento do vínculo que une Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda do Norte por séculos. 

Enquanto o Partido Conservador vencia a oposição na maior parte da Inglaterra com sua promessa de executar o Brexit, os nacionalistas escoceses conquistavam 48 das 59 cadeiras na Escócia

Na Irlanda do Norte, simpatizantes da união entre as Irlandas conquistaram mais cadeiras do que aqueles que querem permanecer parte do Reino Unido pela primeira vez desde 1921, quando houve a divisão do norte britânido com a República da Irlanda, no sul. 

Durante a campanha eleitoral, Johnson disse que estava comprometido com a unidade e negou as acusações de que seu acordo de Brexit poderia criar uma barreira econômica entre o território britânico e a Irlanda do Norte. 

"A essa altura, parece que o governo conservador desta nação única recebeu um novo e poderoso mandato: executar o Brexit e, além disso, unir esse país e levá-lo adiante", disse Johnson na madrugada desta sexta-feira após vencer em seu próprio distrito eleitoral, no oeste de Londres. 

Mas oponentes têm afirmado que foi o apelo de Johnson ao nacionalismo inglês com sua promessa de  "executar finalmente o Brexit" às custas dos interesses da Escócia e da Irlanda do Norte que foi fundamental para seu sucesso. 

Tanto os triunfantes líderes nacionalistas escoceses e irlandeses quanto seus adversários derrotados veem a vitória de Johnson como um caminho aberto para a desintegração do Reino Unido. 

O líder do Partido Nacionalista Escocês​ (SNP) Nicola Sturgeon disse que o resultado claro por um segundo plebiscito sobre a independência da Escócia. Parceiros políticos da Inglaterra por mais de 300 anos, os escoceses votaram contra a separação do Reino Unido com um placar de 55% a 45% em 2014. 

"Boris Johnson pode ter o mandato para tirar a Inglaterra da União Europeia. Mas ele definitivamente não tem um mandato para tirar a Escócia da União Europeia. A Escócia deve decidir sobre seu próprio futuro", disse Sturgeon. 

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A maioria na Irlanda do Norte também votou contra deixar a União Europeia e partidos contrários ao Brexit conquistaram o maior número de cadeiras na província pela primeira vez. Os nacionalistas disseram que o resultado abre o caminho para uma eleição sobre uma união irlandesa. 

"Estamos caminhando para uma pesquisa de fronteira, não posso lhe dar uma data definitiva, mas precisamos fazer o trabalho agora e nos preparar", disse Mary Lou McDonald, líder do Sinn Féin. "Precisamos, de maneira ordenada, estruturar a conversa sobre uma nova Irlanda e uma mudança constitucional. Não acho que os unionistas devam ficar alarmados ou assustados, esta é uma grande oportunidade para todos que vivem nesta ilha."

Um dos que perderam a cadeira no Parlamento é Nigel Dodds, vice-líder do partido unionista da Irlanda do Norte (DUP), que apoiou o governo conservador minoritário em Londres após a última eleição em 2017. 

A legenda alega ter sido constantemente traída pelo acordo de Johnson com Bruxelas sobre o Brexit, por criar uma fronteira econômica entre o Reino Unido e a Irlanda do Norte. 

"A grande ironia disso tudo é que, há décadas os unionistas têm olhado por cima dos ombros e decidido que os nacionalistas irlandeses são a grande ameaça, mas, na verdade, a grande ameaça são os nacionalistas ingleses", disse Mike Nesbitt, ex-líder do Partido Unionista de Ulster. /REUTERS  

 

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