REUTERS/Nicholas Pfosi
REUTERS/Nicholas Pfosi

Centenas de manifestantes protestam em Minneapolis após morte de homem negro por policial

Imagens circularam nas redes sociais com policial ajoelhado no pescoço de George Floyd enquanto ele dizia 'não consigo respirar'

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2020 | 08h49

MINNEAPOLIS - Centenas de manifestantes tomaram as ruas de Minneapolis, em Minnesota, nos Estados Unidos, pela segunda noite consecutiva na quarta-feira, 27, com policiais usando gás lacrimogêneo e disparando balas de borracha contra a multidão. Imagens na televisão e nas redes sociais revelaram pelo menos uma empresa - uma loja de autopeças - em chamas e pessoas carregando mercadorias de um negócio que havia sido vandalizado. 

Os protestos estão ligados à morte de um homem negro que causou uma onda de indignação depois da divulgação de um vídeo que mostra um policial branco ajoelhado no pescoço dele. Nas imagens, o homem identificado como George Floyd, de 46 anos, reclama e diz repetidamente: "Não consigo respirar", enquanto o policial que o rendeu continua ajoelhado sobre seu pescoço para imobilizá-lo. 

Pouco depois, ele parece não se mexer, antes de ser colocado em uma maca e transferido para uma ambulância. A polícia local disse em comunicado que Floyd morreu "após um incidente médico durante uma interação policial". A polícia estava respondendo a uma chamada dizendo que um homem tentava usar cartões falsos em uma loja de conveniência. 

Um porta-voz da polícia informou que os protestos de quarta não foram tão pacíficos e que uma pessoa na área foi morta a tiros, embora não esteja claro se a morte está diretamente relacionada aos protestos. "Esta noite foi uma noite diferente de protestos", disse o porta-voz John Elder.

Na manhã de quinta-feira, ainda havia locais em chamas e moradores próximos jogando água na frente de suas casas para impedir o avanço do fogo. Alguns manifestantes se reuniram na casa do policial que deteve George Floyd e na casa do promotor local, segundo o jornal The Star Tribune. Também houve protestos em Memphis e Los Angeles. 

No vídeo de 10 minutos filmado por uma testemunha, um policial mantém Floyd no chão, que, a certa altura, diz: "Não me mate". Testemunhas pedem ao policial que retire o joelho do pescoço do homem, observando que ele não estava se mexendo. Alguns dizem que "seu nariz está sangrando", enquanto outro pede: "Saia do pescoço dele".

A polícia disse que nenhuma arma foi usada durante o episódio e as imagens das câmeras foram enviadas para o Departamento de Execução Penal de Minnesota, que também iniciou uma investigação.

Em declarações à imprensa americana na terça-feira, o chefe da polícia de Minneapolis, Medaria Arradondo, disse que a política de uso da força "para colocar alguém sob controle" será revisada.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, disse no Twitter na segunda-feira que "quatro policiais do MPD envolvidos na morte de George Floyd foram demitidos". Em entrevista coletiva na terça-feira, o prefeito descreveu o incidente como "completa e absolutamente desastroso".

"Acredito no que vi e o que vi está errado em todos os níveis", disse Frey. "Ser negro nos EUA não deveria ser uma sentença de morte." / The New York Times e AFP

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