EFE/ FACh
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Chile informa ter encontrado partes do avião militar desaparecido  

No Twitter, Bolsonaro afirma que navio brasileiro ajuda a recolher 'itens pessoais e destroços' compatíveis com a aeronave; avião desapareceu em uma área isolada entre a América do Sul e a Antártida na segunda-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 18h57
Atualizado 11 de dezembro de 2019 | 20h21

PUNTA ARENAS, CHILE - A Força Aérea do Chile (FACH) e o Ministério da Defesa brasileiro informaram nesta quarta-feira, 11, que foram encontrados flutuando no mar destroços e objetos pessoais na área onde uma aeronave militar desapareceu na segunda quando seguia para a Antártida com 38 pessoas a bordo.

"A descoberta (de pedaços de avião flutuando no mar) foi feita pelo navio de bandeira chilena Antarctic Endeavour e indicaria que poderiam ser partes dos restos das esponjas dos tanques internos de combustíveis do C-130", disse o comandante em chefe da IV brigada aérea, Eduardo Mosqueira, em entrevista coletiva na cidade de Punta Arenas, a cerca de 3 mil km ao sul de Santiago.

Os restos foram encontrados 30 km ao sul da posição do último contato do avião Hércules C-130, estabelecido às 18h13 de segunda-feira. "Vamos fazer as perícias correspondentes e quando tivermos as esponjas aqui na área, vamos determinar se são realmente do C-130", acrescentou Mosqueira. Os restos chegarão a Punta Arenas "amanhã ou nos próximos dias", detalhou o chefe militar.

Pouco depois, o Ministério da Defesa brasileiro informou que "o Navio Polar Almirante Maximiano, da Marinha do Brasil, recolheu, por volta das 15h45, itens pessoais e destroços compatíveis com a aeronave Hércules C-130, da Força Aérea do Chile, que estava desaparecido desde a madrugada de terça-feira, 10", segundo dois tuítes do presidente Jair Bolsonaro, que reproduziu o comunicado da pasta.

Ele acrescentou ainda que o navio da Marinha do Brasil permanece na área de busca em ações coordenadas com autoridades chilenas.

O avião militar, com 38 pessoas a bordo - 21 passageiros e 17 tripulantes - decolou às 16h55 de segunda-feira de Punta Arenas, no extremo austral do Chile, rumo à base Eduardo Frei na Antártida.

Cerca de 15 aviões e 5 embarcações de diferentes tamanhos e nacionalidades participavam da operação de busca do avião, um dos mais seguros da Força Aérea do Chile.

A aeronave perdeu comunicação quando sobrevoava a Passagem de Drake, uma das zonas mais tempestuosas para a navegação, entre o continente sul-americano e a Antártida.

Três dos 38 passageiros eram civis, entre eles, o universitário de 24 anos, Ignacio Parado, que iria auxiliar em investigações sobre novas energias após ter ganho uma bolsa de estágio pelo bom desempenho acadêmico. Os outros dois civis eram engenheiros que iriam cumprir tarefas de revisão do oleoduto flutuante de abastecimento de combustível e aplicação de tratamentos anticorrosivos. 

Essa rota náutica marca a união dos oceanos Pacífico com o Atlântico. Com cerca de 850 km de largura e uma profundidade de entre 3.500 e 4.000 km, tem ventos que podem ultrapassar os 100 km/h. Entre dezembro e fevereiro, são geradas no local ondas de até 15 metros de altura.

 

O papa Francisco enviou uma mensagem de "proximidade" e "apoio" aos chilenos após o desaparecimento do avião, enquanto os parentes das vítimas foram para a cidade de Punta Arenas para esperar os resultados da busca.

"O Santo Padre segue de perto as notícias que chegam deste país amado sobre a perda de contato com o avião da Força Aérea que seguia para rumo à Antártica", escreveu em um telegrama o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin.

Área de busca ampliada

Nesta quarta-feira, devido ao fato de as condições de visibilidade terem sido consideradas "para operar de boa forma", segundo Mosqueira, as tarefas de busca foram ampliadas a uma área maior que a zona na qual se perdeu o contato com o avião. A área de trabalho considera agora uma superfície total de busca de cerca de 960 km².

Nas buscas participam forças militares do Chile, Argentina, Uruguai, Brasil e Estados Unidos. No total, participam da busca 285 pessoas da Força Aérea do Chile, 286 da Marinha chilena e 69 de meios internacionais. A legislação chilena estabelece um prazo inicial de seis dias, prorrogável por mais quatro dias, para as tarefas mais intensas de busca.

O avião tinha como missão cumprir tarefas de apoio logístico na Base Eduardo Frei, a maior do Chile na Antártida, para a revisão do oleoduto flutuante de abastecimento de combustível da base e realizar tratamento anticorrosivo das instalações. 

O acidente acontece em um momento turbulento para o Chile e o presidente Sebastián Piñera, que enfrenta um descontentamento crescente que provocou quase dois meses de tumultos na capital, Santiago, e tem pressionado seu governo. / AFP

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