Miguel Candela/EFE
Miguel Candela/EFE

China aperta cada vez mais o cerco a Hong Kong; veja a cronologia

A liberdade de imprensa está sob ataque na última escalada da campanha do governo chinês contra a dissidência, que se agravou desde que Pequim impôs uma lei de segurança nacional no território semi-autônomo no ano passado

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2021 | 18h00

A direção do Apple Daily, um jornal popular em Hong Kong que há muito tempo incomoda Pequim com seu apoio aos manifestantes pró-democracia, informou nesta quarta-feira, 23, que estava fechando, menos de uma semana depois de a polícia congelar suas contas, invadir seus escritórios e prender seus editores. 

Antes intocável em Hong Kong, a liberdade de imprensa está sob ataque na última escalada da campanha do governo chinês contra a dissidência, que se agravou desde que Pequim impôs uma lei de segurança nacional no território semi-autônomo no ano passado. Relembre alguns dos principais momentos dessa escalada: 

2020 

30 de Junho 

A lei de segurança nacional de Pequim para Hong Kong entra em vigor pouco antes da meia-noite, na véspera do aniversário da transferência do domínio britânico sobre o território semi-autônomo para o chinês, em 1º de julho.

1º de Julho 

A polícia prende mais de 300 pessoas enquanto os manifestantes tomam as ruas. Dez são presos sob a lei de segurança nacional. O Reino Unido promete conceder passaporte britânico aos que estão em Hong Kong e cinco anos de permanência para trabalhar ou estudar como um caminho para a cidadania britânica.

2 de Julho 

O governo afirma que o slogan de protesto "Liberte Hong Kong, a revolução dos nossos tempos" pode constituir subversão.

8 de Julho

Um novo escritório de segurança nacional que emprega agentes de Pequim é instalado em um hotel de Hong Kong. O hino de protesto "Glória a Hong Kong" é proibido nas escolas.

14 de Julho 

O escritório de representação de Pequim em Hong Kong alerta que as eleições primárias para selecionar candidatos pró-democracia para as eleições do Conselho Legislativo em setembro seguinte poderiam violar a lei de segurança nacional.

17 de Julho 

Oficiais taiwaneses em Hong Kong são informados de que seus vistos não serão renovados a menos que assinem um documento apoiando a reivindicação de Pequim a Taiwan sob sua política de "Uma única China".

28 de Julho 

A Universidade de Hong Kong (HKU) dispensa o veterano ativista pró-democracia Benny Tai de seu cargo de professor associado de direito.

30 de Julho 

Hong Kong desqualifica uma dúzia de candidatos pró-democracia das eleições de setembro, citando razões como conivência com forças estrangeiras e oposição à nova lei.

10 de Agosto 

O magnata da mídia Jimmy Lai é preso sob a lei de segurança nacional e detido por suspeita de conluio com forças estrangeiras.

6 de Setembro 

A polícia prende quase 300 pessoas durante manifestações no dia das eleições legislativas.

9 de Novembro 

Os Estados Unidos impõem sanções a quatro oficiais chineses presentes no governo e na segurança de Hong Kong, citando seus papéis na implementação da lei de segurança nacional.

10 de Novembro 

Hong Kong afirma que está suspendendo acordos de extradição e pactos de assistência jurídica mútua com Holanda e Irlanda, semanas depois que os dois países se juntaram a Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Alemanha e Finlândia na suspensão dos tratados de extradição com o território semi-autônomo.

11 de Novembro 

Hong Kong expulsa quatro membros da oposição de sua legislatura logo após Pequim aprovar uma resolução permitindo que as autoridades locais expulsem legisladores considerados uma ameaça à segurança nacional ou que não sejam fiéis a Hong Kong, sem ter de passar pelos tribunais. No dia seguinte, os 15 membros restantes da oposição renunciam em protesto. 

 

2 de Dezembro 

O proeminente ativista Joshua Wong, de 24 anos, é preso por mais de 13 meses por causa de um protesto contra o governo em 2019 considerado ilegal.

2021 

6 de Janeiro 

Mais de 50 ativistas pró-democracia são presos sob suspeita de violar a lei de segurança nacional. As prisões, relacionadas à organização de uma votação primária não oficial para selecionar os candidatos da oposição para as eleições legislativas, incluem figuras democráticas conhecidas e ex-legisladores.

15 de Janeiro 

Os 180 mil funcionários públicos de Hong Kong são informados de que têm quatro semanas para assinar um documento jurando lealdade à miniconstituição da cidade governada por chineses e dedicação ao governo. Seis outros oficiais de Hong Kong ou chineses foram sancionados pelos Estados Unidos após prisões em massa durante as primárias pró-democracia.

5 de Fevereiro 

O Departamento de Educação divulga diretrizes para escolas sobre segurança nacional, dizendo que alunos de até 6 anos devem aprender sobre subversão e conivência com forças estrangeiras.

16 de Fevereiro 

Jimmy Lai é preso sob a acusação de ajudar Andy Li, um dos 12 ativistas capturados pela China no mar.

19 de Fevereiro 

Uma revisão do governo da emissora pública RTHK encontra "deficiências" na gestão editorial, sinalizando uma grande reforma da instituição reverenciada e levantando preocupações sobre a liberdade da mídia.

11 de Março 

O Parlamento da China aprova mudanças no sistema eleitoral de Hong Kong, reduzindo a representação democrática na legislatura.

22 de Março 

Oito das 12 pessoas presas pela China no mar em agosto de 2020 voltam à cidade depois de cumprir sua pena em Shenzhen por cruzarem ilegalmente a fronteira e são imediatamente detidas por acusações relacionadas aos protestos de 2019.

24 de Março 

O ativista Andy Li é acusado de conspiração para cometer conluio com um país estrangeiro, dois dias após sua libertação de uma prisão em Shenzhen.

30 de Março 

A China realiza uma revisão do sistema eleitoral de Hong Kong para garantir que "patriotas" governem a cidade-Estado.

13 de Abril 

Carrie Lam anuncia novas mudanças no sistema eleitoral, incluindo o redesenho de dados geográficos constituintes e a criminalização dos pedidos para votos de protesto em branco.

16 de Abril 

O magnata Jimmy Lai é condenado a 14 meses de prisão, enquanto outros nove ativistas recebem pena de prisão ou penas suspensas por participarem de assembleias não autorizadas em 18 e 31 de agosto de 2019.

28 de Abril 

Legisladores aprovam projeto de lei de imigração que, segundo advogados, diplomatas e grupos de ativistas, dão às autoridades locais poder ilimitado para proibir residentes e outros de entrar e sair de Hong Kong.

6 de Maio 

O ativista Joshua Wong recebe mais 10 meses de prisão por participar de uma manifestação não autorizada em junho de 2020, para lembrar a repressão de 1989 aos manifestantes dentro e ao redor da Praça Tiananmen de Pequim.

14 de Maio 

O Departamento de Segurança congela os bens de Jimmy Lai, citando razões de segurança nacional.

27 de Maio

O Legislativo aprova uma revisão eleitoral. A polícia de Hong Kong cita as restrições ao coronavírus para proibir pelo segundo ano a vigília anual que comemora a repressão na Praça Tiananmen.

28 de Maio

Jimmy Lai recebe uma nova sentença de prisão de 14 meses por seu papel em uma manifestação não autorizada em 1º de outubro de 2019. Parte da nova sentença será cumprida consecutivamente, o que significa que as sentenças de Lai até agora somam 20 meses. Outros nove réus foram condenados a até 18 meses.

16 de Junho 

A polícia de Hong Kong faz uma operação na sede do jornal pró-democracia Apple Daily e prende cinco executivos, incluindo o editor-chefe, Ryan Law, sob a nova lei de segurança. 

23 de Junho 

A direção do Apple Daily anuncia seu fechamento./Reuters 

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