Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Confronto em refinaria na Bolívia deixa três mortos

Militares tentavam liberar acesso a instalação ocupada por manifestantes pró-Evo; 30 ficaram feridos

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 22h01

LA PAZ - Confrontos entre manifestantes e militares que liberavam o acesso a uma central de combustíveis em El Alto, cidade vizinha a La Paz, deixaram 3 mortos e 30 feridos nesta terça-feira, 19, um dia antes de a Organização dos Estados Americano (OEA) discutir uma resolução pedindo eleições urgentes na Bolívia. “Foram três mortos, dois deles confirmados (por impacto) de bala”, disse um porta-voz da Defensoria do Povo.

A entidade disse que os feridos são manifestantes leais ao ex-presidente Evo Morales, que está exilado no México, após renunciar ao cargo no dia 10. O ex-presidente havia sido reeleito em uma votação denunciada como fraudulenta pela oposição e pela OEA, que encontrou diversas “irregularidades”.

Em comunicado, as Forças Armadas destacaram que “agitadores e vândalos enfurecidos” atacaram e destruíram parcialmente a central de hidrocarbonetos de Senkata, “utilizando explosivos de alto poder”. 

Pouco antes, uma força combinada de policiais e militares, apoiada por blindados e helicópteros, entrou na refinaria, ocupada há dias por manifestantes, para retomar em caminhões-tanque o abastecimento de combustível, cuja escassez começa a se aprofundar em La Paz.

Do México, Evo escreveu no Twitter: “Denuncio ao mundo que o governo de facto, no estilo de ditaduras militares, novamente mata meus irmãos em El Alto, que resistem pacificamente ao golpe e lutam em defesa da vida e da democracia”.

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