AP Photo/Eduardo Verdugo
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Evo aterrissa no México como asilado político e diz que 'luta continua'

Ex-presidente boliviano viajou ao país em aeronave da Força Aérea mexicana após receber asilo por 'razões humanitárias' e por correr risco de morte; em discurso, ele denunciou suposta recompensa de US$ 50 mil para matá-lo

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2019 | 14h28
Atualizado 12 de novembro de 2019 | 21h32

CIDADE DO MÉXICO - O ex-presidente da Bolívia Evo Morales chegou nesta terça-feira, 12, ao aeroporto da Cidade do México depois de aceitar a oferta de asilo político feita pelo mandatário mexicano, Andrés Manuel López Obrador.

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Ele foi recebido pelo chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, ao desembarcar de um avião da Força Aérea do México. Depois de deixar a Bolívia na noite de segunda, o avião com o líder indígena fez uma escala no Paraguai para reabastecer antes de iniciar um percurso mais longo que o planejado para cruzar a América Latina.  A escala no Paraguai teve de ser feita porque o Peru havia proibido a aeronave de fazer escala em Lima. De Assunção, ele cruzou o espaço aéreo brasileiro em direção ao México. 

O ex-presidente disse que "a luta continua", e que somente haverá paz em seu país quando houver "justiça social". "Graças ao México, a suas autoridades, mas também quero dizer que, enquanto eu tiver vida, continuarei na política; enquanto eu estiver no trem da vida, a luta continua. E temos certeza de que os povos têm todo o direito de libertar-se", disse em uma primeira declaração no hangar do Exército mexicano.

O ex-presidente boliviano, que recebeu asilo por "razões humanitárias" e por correr risco de morte, segundo as autoridades mexicanas, chegou ao hangar do Sexto Grupamento Aéreo Internacional, antigo hangar presidencial, do aeroporto da Cidade do México por volta das 11h15 (14h15 de Brasília). 

Em seu pronunciamento, Evo denunciou que no último sábado, um dia antes de sua renúncia, um membro da equipe de segurança do Exército lhe informou na região do Trópico de Cochabamba, onde ele estava, que militares haviam oferecido US$ 50 mil a quem o matasse.

"Por isso digo que estamos agradecidos por salvarem nossas vidas", reiterou, ao lado de Álvaro García Linera e Gabriela Montaño, que renunciaram à vice-presidência e ao cargo de ministra da Saúde, respectivamente, e também receberam asilo do México.

Evo também voltou a repetir que foi vítima de um "golpe de Estado" desde sua vitória em primeiro turno nas eleições presidenciais de 20 de outubro - nas quais a oposição denunciou uma fraude da apuração dos votos, o que foi corroborado por uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA). Na manhã de domingo, antes de renunciar, ele chegou a acenar com uma proposta de repetição do pleito.

"De última hora, lamentavelmente, a Polícia Nacional se uniu ao golpe político e cívico", alegou Morales, que acusou os opositores de terem queimado boletins eleitorais e sedes sindicais, assim como de terem atacado sua casa em Cochabamba e a de sua irmã.

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"Para que não haja mais atos sangrentos, nem mais confrontos, decidimos renunciar", explicou.

Evo disse que "único crime" é ser "indígena" e que seu "único pecado" foi o de implementar "programas sociais para os mais humildes" na Bolívia. Ele se declarou "anti-imperalista" e ressaltou que, apesar do "golpe", não vai mudar ideologicamente. / AFP e EFE

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