Mohd Rasfan/AFP
Mohd Rasfan/AFP

Confrontos marcam aniversário da Revolução dos Guarda-Chuvas em Hong Kong

Em 2014, durante a revolução, os manifestantes pediam a introdução do voto universal para escolher o chefe do Executivo local, uma das cinco reivindicações que o movimento pró-democrático carrega até hoje

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2019 | 15h02

HONG KONG - Dezenas de milhares de pessoas lembraram neste sábado, 28, nas ruas de Hong Kong o quinto aniversário do fim da chamada Revolução dos Guarda-Chuvas, em um protesto pró-democracia que registrou enfrentamentos entre policiais e alguns manifestantes.  

Ainda neste sábao, o ativista Joshua Wong, um dos líderes dos protestos pró-democracia em no território, anunciou que disputará as eleições locais do próximo mês de novembro.

Minutos antes da hora prevista para o início de um comício de celebração no Tamar Park, às 19h (local, 8h de Brasília), já havia ataques contra os cordões dos policiais, que revidaram com gás de pimenta.

Além disso, centenas de manifestantes levantaram barricadas e bloquearam algumas das principais ruas da cidade. Ao final do ato de comemoração, a polícia recorreu ao uso de canhões de água para dispersar os mais violentos, que atiraram tijolos na direção das forças de segurança. "Radicais lançaram coquetéis molotov contra escritórios do governo", denunciaram os policiais.

Por outro lado, na área do comício em si, os protestos foram pacíficos, feito por pessoas vestidas com roupas pretas, algo já tradicional no movimento pró-democrático.

O ato foi convocado pela Frente Civil de Direitos Humanos (CHRF), ONG responsável pelas maiores manifestações até o momento de oposição à já retirada proposta de lei de extradição que permitiria que cidadãos de Hong Kong fossem extraditados e processados judicialmente na  China  continental.

Em 2014, durante a Revolução dos Guarda-Chuvas, os manifestantes pediam a introdução do voto universal para escolher o chefe do Executivo local, uma das cinco reivindicações que o movimento pró-democrático carrega até hoje, e que incluem também uma investigação independente sobre a brutalidade policial e a anistia aos detidos, entre outras.

"Hoje é uma recordação de como a polícia é muito mais violenta e selvagem contra os manifestantes. Há exatamente cinco anos, dispararam 87 cartuchos de gás lacrimogêneo. Hoje, estamos em um dia sem o gás, quase que dá a sensação de ser pacífico demais para ser certo", declarou à agência EFE a empresária de Hong Kong de 39 anos Sandy Man, que disse ter ido a quase todos os protestos dos últimos meses.

Nas redes sociais, os manifestantes convocam para novos protestos para amanhã no Victoria Park para celebrar o Dia Mundial contra o Totalitarismo. Na próxima terça, enquanto será celebrado em grande estilo o 70º aniversário da fundação da República Popular na China continental, estão previstos novos atos da Frente Civil de Direitos Humanos em oposição ao autoritarismo do regime comunista. / EFE

 

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