ARIS MESSINIS / AFP
ARIS MESSINIS / AFP

Criança morre afogada após barco de imigrantes virar no litoral da Grécia

Mais de 10 mil imigrantes tentam cruzar a fronteira da Turquia após anúncio de Ancara de que não controlará mais o fluxo de pessoas entre os dois países

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2020 | 09h49

LESBOS, GRÉCIA - Uma criança morreu afogada após cair de um barco de imigrantes que virou enquanto tentava chegar a ilha de Lesbos, na Grécia. É a primeira fatalidade confirmada pelas autoridades na nova etapa da crise migratória, iniciada após a decisão da Turquia de abrir as fronteiras com a Europa. De acordo com a polícia grega, pelo menos mil imigrantes conseguiram chegar até as ilhas gregas do leste do Mar Egeu desde a manhã do domingo, 1º.

Mais de 10 mil imigrantes tentam cruzar a fronteira da Turquia com a Grécia por terra. Forças policiais dos dois países tentam controlar a multidão na faixa de terra entre os dois países. Confrontos entre agentes de segurança e imigrantes foram registrados e bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas contra os acampados.

De acordo com a Guarda Costeira da Grécia, a embarcação que virou próxima a Lesbos nesta segunda estava sendo escoltada por um veleiro turco. 46 pessoas foram resgatadas e duas crianças tiveram que ser socorridas ao hospital. Uma delas não resistiu.

Outro bote com cerca de 30 imigrantes do Afeganistão desembarcou em Lesbos nesta segunda-feira. 32 outras pessoas foram resgatadas do mar perto da ilha de Farmakonissi.

"Esse movimento é guiado e encorajado pela Turquia", disse o porta-voz do governo grego, Stelio Petsas, durante um encontro com jornalistas em Atenas. Ele chamou a crise de imigrantes na fronteira de uma ameaça "ativa, séria, severa e assimétrica" à segurança nacional.

Enquanto isso, o Ministro do Desenvolvimento do país, Adônis Georgiadis, disse em uma entrevista para uma rede de TV local que o movimento de imigrantes se trata de uma "invasão".

Crise na fronteira turca

A Turquia anunciou na semana passada que passaria a não impedir a passagem de imigrantes que tentam chegar à Europa. O país tem cerca de 3,7 milhões de refugiados em seu território e lida com a pressão de quase um milhão de pessoas tentando cruzar a fronteira com a Síria.

A medida, contudo, viola um acordo firmado com a União Europeia em 2016, que previa a retenção dos imigrantes nos limites turcos e a devolução daqueles que conseguissem cruzar a fronteira. A medida, que envolveu também uma compensação financeira aos turcos, foi a solução encontrada para conter o fluxo migratório.

A União Eurpeia repreendeu a decisão turca ainda na semana passada, dizendo que o tratado ainda estava em vigor e esperando o cumprimento por parte da Turquia. / REUTERS

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