REUTERS/Agustin Marcarian
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Cristina Kirchner terá um papel secundário importante no governo de Alberto Fernández

Fernández já deu sinais de que sua prioridade serão os 6 milhões de miseráveis e os aposentados, a questão é como conseguirá dinheiro para atendê-los

Raúl Aragón*, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2019 | 09h15

O governo de Alberto Fernández será uma administração tipicamente peronista, coisa que não foram os de Carlos Menem e o de Cristina Kirchner. Menem (1989-1999), embora eleito como um peronista, fez um governo neoliberal que levou o país à crise de 2001. Cristina (2008-2015) era puramente populista.

Fernández já deu sinais de que sua prioridade serão os 6 milhões de miseráveis e os aposentados. A questão é como conseguirá dinheiro para atendê-los. Sua estratégia é ativar pequenas e médias empresas com crédito subsidiado, tentar criar mais trabalho. Mas ele só terá chance se construir um acordo nacional entre empresários e trabalhadores para manter congelados os salários por pelo menos seis meses.

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O seu principal problema será renegociar com credores externos. Será preciso emitir dinheiro, o que nem sempre gera inflação. Deve haber injeção de dinheiro na produção, considerando-se o porcentual de ociosidade da indústria argentina, de cerca de 50%. Mauricio Macri fez um bom final da campanha nas últimas duas semanas e recuperou alguns pontos, mas a coalizão Cambiemos termina nesta segunda-feira.

Haverá forte disputa interna entre os conservadores. Tanto a governadora da Província de Buenos Aires, Maria Eugenia Vidal, que não conseguiu a reeleição, quanto o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, serão os únicos com poder real. Ela manterá sobre sua ascendência sobre os legisladores da Província de Buenos Aires. Ela esteve fiel a Macri até agora, mas foi castigada pela crise econômica associada ao governo Macri. Podia ter descolado sua imagem de Macri, não aparecer na mesma cédula que ele, mas não o fez.

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Cristina Kirchner, por sua vez, vai ter papel secundário importante. Quem vai governar é Fernández, mas ele vai ter que buscar consensos, uma vez que mais da metade dos votos da chapa vêm dela. Ele deve comandar porque é um homem muito firme e o presidencialismo na Argentina é muito forte.

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*Consultor político

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