EFE/EPA/OLIVIER DOULIERY / POOL
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Desinformação sobre a saúde de Biden se espalha após debate

Histórias falsas se espalham pelas mídias sociais, inclusive em anúncios promovidos pela campanha de Donald Trump no Facebook

Elizabeth Dwoskin, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2020 | 09h29

Histórias falsas sobre a saúde de Joe Biden continuam a se espalhar nas mídias sociais dois dias após o primeiro debate presidencial nos Estados Unidos, incluindo anúncios enganosos no Facebook promovidos pela campanha do presidente Donald Trump e um vídeo viral no TikTok.

Uma falsa história sobre Joe Biden usando um fone de ouvido que surgiu na terça-feira, 29, continuou a ganhar força no Facebook após o debate.

O anúncio promovido pela campanha de Donald Trump, que incentiva as pessoas a "verificarem os ouvidos de Joe" e pergunta "por que  Sleepy Joe não se compromete com a inspeção do fone de ouvido", foi visto entre 200 mill a 250 mil vezes. Uma parcela grande das visualizações foi de pessoas com mais de 55 anos no Texas e na Flórida.

O anúncio, cujo conteúdo se originou de um tuíte de um repórter do New York Post que citou uma única fonte anônima, diz que Biden precisava da ajuda de um fone de ouvido para que alguém pudesse lhe passar informações durante os debates.

Na plataforma de vídeo TikTok, quatro vídeos alegando que Biden estava usando um fio para "trapacear" durante o debate acumularam mais de meio milhão de visualizações combinadas na quarta-feira, segundo uma pesquisa do grupo de vigilância de mídia Media Matters. 

Um dos vídeos mostra uma foto de Biden com a mão dentro do terno, enquanto outro sobrepõe uma flecha sobre a gravata de Biden, mas nenhum dos vídeos mostra qualquer evidência visual de Biden usando um dispositivo eletrônico de qualquer tipo.

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As empresas de tecnologia há muito lutam contra a desinformação e estão em alerta máximo antes das eleições. 

Antes do debate, os executivos do Twitter e do Facebook revisaram hashtags, tendências e outras contas que podem violar as regras das empresas usando uma combinação de software e revisão humana.

As empresas também estão divulgando informações precisas sobre como se registrar para votar para milhões de pessoas.

Mas as últimas evidências mostram que as empresas enfrentam dificuldades, especialmente quando se trata de informações falsas espalhadas pelo presidente e seus seguidores.

Na noite de quarta-feira, o Facebook disse que tais informações falsas prejudicariam a legitimidade da eleição, após o anúncio anterior da empresa de uma proibição de novos anúncios na semana antes da eleição.

Para aumentar as preocupações, o Twitter disse que agiu com base em uma informação do FBI para remover 130 contas que pareciam ser originárias do Irã e estavam tentando semear desinformação contra Joe Biden durante o debate presidencial. O Twitter disse que as contas tinham um “alcance mínimo”.

A TikTok disse que removeria o vídeo de Biden após ser contatado pelo The Washington Post. A empresa proíbe a desinformação que “engana os membros da comunidade sobre eleições ou outros processos cívicos”.

O anúncio da campanha no Facebook com foco em Biden revela uma lacuna significativa nos esforços de fiscalização do gigante da mídia social.

Embora a empresa diga que gasta uma grande quantidade de recursos no combate à desinformação relacionada às eleições - incluindo em postagens de verificação de fatos e artigos noticiosos - a rede social não verifica os fatos de anúncios políticos por uma questão interna. Isso torna o discurso pago uma categoria explorável para desinformação. Centenas de funcionários do Facebook se opuseram à política da empresa de não verificar os fatos dos anúncios políticos.

O porta-voz do Facebook, Andy Stone, se recusou a comentar sobre os anúncios enganosos da campanha de Trump, que sugeriam que Biden usava um fone de ouvido. 

No entanto, ele observou que a empresa tomou outras medidas para limitar a desinformação sobre o uso de fone de ouvido de Biden, incluindo a adição de rótulos a alguns posts sobre o tema em contas que não pertenciam a políticos depois que seus verificadores de fatos terceirizados desmascararam essas alegações.

O Facebook deu o raro passo na quarta-feira de remover os anúncios de Trump que faziam afirmações infundadas de que aceitar mais refugiados aumentaria os riscos à saúde relacionados à pandemia.

Havia mais de 30 versões do anúncio em exibição na rede social, de acordo com a biblioteca de transparência de anúncios do Facebook. Ele reuniu entre 200.000 e 250.000 visualizações.

“Rejeitamos esses anúncios porque não permitimos alegações de que a segurança física, saúde ou sobrevivência das pessoas é ameaçada por outras pessoas com base em sua nacionalidade ou status de imigração”, disse Stone em um comunicado.

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