Brendan Smialowski/AFP
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Trump bloqueou ajuda à Ucrânia antes de pedir investigação dos Bidens

No primeiro dia da Assembleia Geral da ONU em Nova York, Trump entrou em contradição sobre os relatos de que pressionou presidente da Ucrânia em troca de ajuda de US$ 250 milhões

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2019 | 19h00

WASHINGTON -  Os democratas aumentaram ontem a pressão para a divulgação de uma denúncia feita contra Donald Trump e intensificaram os pedidos de impeachment contra o presidente. Trump voltou a dizer que não fez nada de errado ao ligar para o líder ucraniano, Volodmir Zelenski, e conversar sobre o filho de Joe Biden, um possível rival na eleição de 2020.

Segundo o jornal The New York Times, no entanto, Trump mandou congelar US$ 391 milhões em ajuda à Ucrânia dias antes de falar por telefone com o presidente ucraniano sobre Joe Biden.

O impeachment do presidente divide os próprios democratas. A líder do partido na Câmara, Nancy Pelosi, não pretende iniciar um processo, segundo ela, "a menos que os americanos queiram". No domingo, porém, ela mudou o discurso e afirmou, em carta aos seus colegas democratas, que a situação mudará se o governo seguir barrando o acesso do Congresso à denúncia contra Trump.

"Se o governo persistir no bloqueio da denúncia de um funcionário ao Congresso, seria uma quebra séria dos deveres constitucionais do presidente. Entraremos em um novo e grave capítulo de ilegalidade que nos levará a um novo estágio de investigação", alertou Pelosi – sem citar a palavra "impeachment".

Na quinta-feira, a Comissão de Inteligência da Câmara tem mais uma audiência – a segunda – sobre a possibilidade de abrir um processo de impeachment contra o presidente. Mais da metade dos deputados democratas diz apoiar o processo e há a expectativa de que outros também se manifestem a favor.

A outra parte do partido, porém, acredita que a questão ainda divide os americanos e tomar uma atitude precipitada apenas alienaria mais eleitores centristas na véspera de um ano eleitoral. Além disso, uma disputa no Congresso sobre a destituição do presidente poderia inflamar a base do Partido Republicano e ajudar Trump a obter um apoio que ele hoje não tem.

Para efetivamente destituir o presidente, porém, seria ainda mais complicado, porque exigiria o apoio de boa parte da bancada republicana no Senado – um núcleo duro do governo Trump.

A maioria dos congressistas republicanos se manteve em silêncio sobre os relatos de que o presidente teria pressionado o líder ucraniano a investigar Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente. 

Nesta segunda-feira, 23, no primeiro dia da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, Trump demonstrou confusão. Primeiro, reconheceu a ligação e disse que não enviaria nenhuma ajuda à Ucrânia. “Por que você daria dinheiro a um país que você acha que é corrupto?”, disse. Questionado mais tarde se o presidente ucraniano receberia o dinheiro em troca da investigação, ele negou. “Eu não fiz isso. Se você vir a ligação (transcrição), ficará muito surpreso”, disse Trump.

Seus comentários deram margem a questionamentos sobre se houve ou não pressão para obter ajuda da Ucrânia. Trump tem buscado implicar Biden e seu filho em um esquema de corrupção. Hunter integrou a diretoria de uma companhia de gás ucraniana quando seu pai era vice-presidente dos EUA sob o governo de Obama. Apesar das denúncias, segundo o governo ucraniano, não há evidências de crime cometido por Biden ou pelo filho.

Denúncia

O assunto ganhou peso depois que um funcionário do governo protocolou uma denúncia anônima que relatava uma conversa suspeita entre Trump e Zelenski, em 25 de julho. Os democratas exigem acesso à transcrição do telefonema, mas o Diretório de Inteligência Nacional nega a liberação do conteúdo. Ainda ontem, os presidentes de três comissões da Câmara enviaram uma carta ao secretário de Estado, Mike Pompeo, ameaçando intimá-lo se ele não apresentar o material sobre a denúncia do funcionário do governo americano. / AP, NYT e W. POST

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