REUTERS/Kevin Lamarque
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Trump condena ação de neonazistas e Ku Klux Klan após 2 dias sob críticas

Pressionado por rivais e aliados, presidente considerou ‘repugnantes’ os grupos envolvidos em manifestação de supremacistas brancos no sábado em Charlottesville; uma ativista morreu atropelada por um admirador de Hitler

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2017 | 14h14
Atualizado 14 Agosto 2017 | 20h30

Com dois dias de atraso, o presidente Donald Trump cedeu nesta segunda-feira à pressão para que condenasse de maneira explícita extremistas envolvidos na violência que deixou 1 pessoa morta e 34 feridas no sábado em Charlottesville. Seguindo o script de um teleprompter, ele afirmou que supremacistas brancos, neonazistas e a Ku Klux Klan são “repugnantes”.

 

Trump disse que o “racismo é um mal” e os autores de atos de violência cometidos em seu nome são “criminosos e marginais”. Apesar de o chefe do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, H.R. McMaster, e o secretário de Justiça, Jeff Sessions, terem se referido ao atropelamento de manifestantes antirracismo como “terrorismo doméstico”, o presidente não usou essa expressão.

No sábado, Trump responsabilizou “muitos lados” pela violência e não mencionou supremacistas brancos, a KKK nem neofascistas que participaram da marcha em Charlottesville. Grande parte deles saiu às ruas com armas, escudos, capacetes e a bandeira confederada que representava o sul escravocrata durante a Guerra Civil americana (1861-1865). Esses grupos extremistas apoiaram a candidatura de Trump e celebraram seu pronunciamento de sábado como uma vitória.

No domingo, sob pressão interna e externa,  a Casa Branca divulgou nota dizendo que a crítica de Trump incluía esses grupos.

A percepção de que a resposta do presidente foi inadequada se agravou na manhã desta segunda-feira, quando ele atacou no Twitter o CEO da companhia farmacêutica Merck por sua decisão de deixar o Conselho de Manufatura da Casa Branca. Negro, Kenneth Frazier disse que tinha a responsabilidade de tomar uma posição contra a intolerância.

“Os líderes da América devem honrar nossos valores fundamentais e rejeitar de maneira clara expressões de ódio, intolerância e supremacia de grupos, que são contrárias ao ideal de que todas as pessoas são criadas iguais”, escreveu Frazier no Twitter às 8 horas. A resposta de Trump veio 54 minutos mais tarde, também no Twitter: “Agora que Ken Frazier da Merck Farma renunciou ao Conselho de Manufatura do presidente, ele terá mais tempo para baixar preços exorbitantes de remédios!”.

Às 12h38, Trump seguiu o conselho do CEO. “Somos uma nação fundada na verdade de que todos nós somos criados iguais. Nós somos iguais aos olhos de nosso Criador. Nós somos iguais perante a lei. E nós somos iguais sob a Constituição.”

 

O presidente anunciou que o Departamento de Justiça abriu investigação sobre violação de direitos civis no atropelamento intencional de manifestantes que se opunham aos extremistas. O motorista do carro, James Alex Fields Jr., também é acusado de homicídio qualificado e lesão corporal dolosa. Ontem, a Justiça de Charlottesville negou sua libertação sob fiança.

“Você tem algum laço com essa comunidade?”, perguntou o juiz Robert Downer a Fields, que participou da audiência por vídeo. “Não, senhor”, respondeu o motorista de 20 anos, que vive em Ohio. A maior parte das centenas de homens brancos que marcharam em Charlottesville veio de outros Estados.

Seu objetivo era protestar contra a decisão do Conselho Municipal de Charlottesville de retirar de uma praça pública a estátua de Robert Lee, o principal comandante das forças confederadas que lutaram pelo sul escravocrata em oposição ao norte e ao presidente Abraham Lincoln durante a Guerra Civil.

 

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