Doug Mills / POOL / AFP
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Em discurso, Trump ataca ilegais, mas faz aceno a democratas

Investigações ‘ridículas’ podem afetar economia, diz americano em discurso anual

Beatriz Bulla, Correspondente/Washington, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2019 | 00h02

No tradicional discurso anual do Estado da União, nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump fez um apelo por cooperação entre os dois partidos dos país, mas manteve o tom duro do discurso contra a imigração ilegal e a favor da construção de um muro na fronteira com o México. A proposta divide os dois partidos. No campo da política externa, Trump disse estar do lados dos venezuelanos e anunciou um encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, no fim do mês. 

 “Juntos, podemos romper décadas de impasse político”, disse Trump. “Podemos curar velhas feridas, criar novas coalizões, novas soluções e desbloquear a promessa extraordinária sobre o futuro da América. A decisão é nossa”, afirmou. 

Mesmo assim, ele manteve o discurso de campanha associando imigração ilegal a ameaças aos cidadãos americanos. O pedido por união foi feito em meio ao impasse com o partido de oposição em torno da proposta para construção do muro. Em razão das divergências sobre o muro, o governo federal americano ficou paralisado parcialmente por mais de um mês.

O discurso foi o segundo feito por Trump desde que se tornou presidente dos EUA e o primeiro desde que os democratas conquistaram a maioria na Câmara, nas eleições de meio de mandato, em novembro. 

Ao falar sobre imigração, tema que divide os dois partidos, Trump disse “há um dever moral de criar um sistema de imigração que proteja vidas e empregos dos nossos cidadãos”. Ele também afirmou que a imigração ilegal é uma questão que divide a “classe trabalhadora” dos EUA da “classe política” do país. “Políticos e doadores ricos pressionam por fronteiras abertas enquanto vivem as suas vidas atrás de muros, portões e guardas”, afirmou Trump.

Economia.

Trump, cuja campanha eleitoral de 2016 está no epicentro de uma série de investigações criminais, também criticou “investigações partidárias ridículas”. Ao destacar progresso econômico, Trump sugeriu que investigações atrapalham a paz e prosperidade do país. “Na sexta-feira, foi anunciado que obtivemos mais 304 mil empregos apenas no mês passado, o dobro do que era esperado. Um milagre econômico está ocorrendo nos EUA e as únicas coisas que podem impedi-lo são guerras tolas, a politicagem ou investigações partidárias ridículas. Se houver paz e lei, não pode haver guerra e investigações. Não funciona assim.”

O presidente americano afirmou que a economia americana é “a inveja do mundo”, os militares do país são “os mais poderosos da terra”, e a América está “ganhando em tudo e a cada dia”. Ele também falou sobre a guerra comercial com a China e destacou que os EUA estão deixando claro para a China que o “roubo” de empregos e riquezas americanos chegou ao fim.

Venezuela.

A crise na Venezuela, que tem recebido a atenção do time de política externa do americano nas últimas semanas, não ficou de fora. Trump afirmou que os EUA estão com o povo venezuelano na busca por liberdade.

Trump voltou a dizer que, se não fosse presidente, provavelmente havia uma guerra com a Coreia do Norte. “Muito trabalho ainda precisa ser feito, mas minha relação com Kim Jong-un é uma das boas”, afirmou Trump, ao anunciar que irá se encontrar com o líder norte-coreano novamente nos próximos dias 27 e 28 no Vietnã.

Resposta democrata

Escolhida pelo Partido Democrata para reagir ao discurso de Trump, Stacey Abrams rebateu a fala do presidente sobre o “milagre econômico” nos EUA ao afirmar que as “fábricas estão fechando” e “as demissões estão chegando”.

"Em vez de trazer de volta empregos, as fábricas estão fechando, as demissões estão chegando e os salários lutam para ficar a par do custo de vida real", disse.

Stacey, que em novembro de 2018 quase se tornou a primeira governadora negra nos EUA ao ser derrotada por uma pequena margem pelo republicano Brian Kemp no Estado da Geórgia, também afirmou que o País é forte por conta da presença de imigrantes e não de paredes. Ela disse que uma abordagem com compaixão em relação às fronteiras não é o mesmo que fronteiras abertas. “O presidente (Ronald) Reagan entendeu. O presidente (Barack) Obama entendeu. Os americanos entendem”, disse Stacey.

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