Koji Sashara / EFE
Koji Sashara / EFE

'Estou em um país capitalista', diz Bolsonaro ao chegar à China

Presidente se recusou a falar sobre críticas feitas à nação asiática no passado e evitou comentar guerra comercial entre Pequim e Washington; depois, visitou a Muralha da China

Julia Lindner, enviada especial

24 de outubro de 2019 | 03h37
Atualizado 24 de outubro de 2019 | 09h34

PEQUIM - No mês em que a República Popular da China completa 70 anos da Revolução Comunista, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que está em um país "capitalista". Ao chegar a Pequim, ele destacou que há interesse por parte do Brasil e da China em ampliar o comércio entre os países e está disposto a fazer o que for possível para que isso ocorra. "Essa é a prioridade número um", afirmou a jornalistas no primeiro dia da viagem oficial à nação, no qual aproveitou para visitar a Muralha da China

Ele disse que o encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, que faz parte do Partido Comunista, é "normal". "Devo estar com ele amanhã", relatou. "O que for possível fazer para o desenvolvimento do País nós faremos", acrescentou.

Indagado sobre a pressão de parte do seu eleitorado para que explique o motivo da sua presença em um país comunista, ele respondeu: "Estou em um país capitalista".

Sobre outras críticas feitas à China no passado na área comercial, Bolsonaro falou que "não veio (a Pequim) para falar de questão política sobre a China". "Me recuso a falar", reagiu ao questionamento.

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Em 2018, o presidente adotou uma retórica inflamada anti-China durante a campanha eleitoral e chegou a dizer que os chineses estavam "comprando o Brasil".

Hoje, Bolsonaro voltou a adotar tom de neutralidade sobre a guerra comercial entre China e Estados Unidos. "Não é uma briga nossa. Nós queremos nos inserir sem qualquer viés ideológico nas economias do mundo."

O presidente da República foi recepcionado no aeroporto da capital pelo ministro do comércio chinês, Zhong Chan. Não há compromissos oficiais no período da tarde.

Visita à Muralha da China

Após se instalar no hotel, Bolsonaro fez um passeio turístico para conhecer um trecho da Muralha da China, localizado a cerca de 80 km de Pequim. "A ideia da visita é buscar adaptação ao fuso. Se eu ficar no hotel vou acabar dormindo", contou o presidente. O governo proibiu a imprensa de acompanhar o trajeto.

Bolsonaro chegou ao local por volta das 15h30 (4h30 em Brasília) e foi embora cerca de meia hora depois. Ele assinou o livro de honra e tirou fotos oficiais com integrantes da comitiva presidencial. Ainda nesta quinta, Bolsonaro participará de um jantar oferecido pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

O governo chinês reforçou a segurança da área percorrida por Bolsonaro e impediu outros carros de chegarem à entrada da Muralha.

Entre os participantes do passeio estavam os ministros Osmar Terra (Cidadania), Tereza Cristina (Agricultura), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Bento Albuquerque (Energia), além do deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) e do governador do Acre, Gladson Cameli (PP).

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