Bryan R. Smith/ AFP
Bryan R. Smith/ AFP

EUA atingem número recorde de mortes por covid-19, e autoridades creem que pior pode estar por vir

Com recorde de mortes diárias batido nessa quarta, 2, e mais de 100 mil hospitalizações, médicos alertam que situação deve piorar; taxa de letalidade menor e perfil dos infectados podem evitar cenário igual ao visto em abril

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2020 | 11h06
Atualizado 03 de dezembro de 2020 | 19h30

WASHINGTON - Com os casos de covid-19 ultrapassando o pico registrado em abril, e com cerca de 3,2 mil mortos apenas na quarta-feira, 2, os Estados Unidos estão enfrentando o momento mais difícil da história da saúde pública no país, na opinião de alguns especialistas.

O número de mortos registrado na quarta-feira é o maior desde o início da pandemia. Nem mesmo a letalidade registrada no mês de abril, quando o país se tornou o epicentro da covid-19, uma quantidade tão grande de mortos foi relatada em 24 horas. A maior quantidade de mortos, até então, havia sido registrada em 15 de abril, quando 2.752 pessoas perderam a vida em decorrência da doença.

Mas não é apenas o número de mortos que aumentou. As hospitalizações também atingiram o maior patamar histórico nesta semana, com mais de 100 mil pessoas sendo internadas com covid-19 ou complicações ligadas a doença - o que é mais que o dobro do número de internações contabilizado no começo de novembro.

"Se você me diz que as hospitalizações estão aumentando nesta semana, eu digo que, em algumas semanas, o número de mortes vai aumentar também", afirmou o médico Jeremy Faust, que trabalha no setor de emergência do Hospital Brigham and Women’s, em Boston.

Apesar das semelhanças com o cenário visto em abril, especialistas apontam que algumas diferenças tornam o momento atual mais perigoso do que a primeira onda. Antes, os casos estavam concentrados em Nova York e na Nova Inglaterra. Agora, o vírus já se espalhou por todo o país.

Além disso, o pior momento da pandemia até então, registrado em abril, foi seguido por uma redução acentuada do número de mortos à medida que o isolamento social foi sendo adotado nos Estados. Atualmente, contudo, locais públicos foram reabertos - pelo menos parcialmente - e as pessoas estão se preparando para comemorar as festas de Natal e ano-novo.

"Esta é uma situação muito pior", disse o médico Ashish Jha, reitor da Escola de Saúde Pública da Brown University. "O verão não vai nos ajudar. As coisas não estão fechadas." 

Ainda assim, interpretar o número de mortes diárias pode ser complicado. O dado se refere ao número de mortes relatadas pelas autoridades de saúde em um determinado dia, não realmente quantas pessoas morreram em 24 horas.

Portanto, embora a quantidade de óbitos diários parecesse cair nos dias após o feriado de Ação de Graças, por exemplo, isso provavelmente significava que aqueles que faziam a contagem tinham folga, não que menos pessoas estivessem morrendo.

O pico de 15 de abril incluiu mortes anunciadas naquele dia, bem como mortes prováveis na cidade de Nova York, que mais tarde foram relatadas como tendo ocorrido naquele dia.

Embora os casos de coronavírus tenham explodido recentemente, com novas infecções chegando a 1 milhão por semana, uma proporção muito menor de pessoas que contraem o vírus atualmente está morrendo por causa dele. Dados nacionais dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças mostram que a proporção de casos que resultaram em morte caiu de 6,7% em abril para 1,9% em setembro.

Mas, no geral, as mortes nos Estados Unidos ainda estão subindo. "É terrível porque era evitável", disse a Leora Horwitz, médica e professora associada de saúde populacional e medicina do N.Y.U. Grossman School of Medicine. "Somos um mundo diferente a esse respeito."

O ponto positivo, disse Horwitz, é que os profissionais de saúde ficaram muito melhores no tratamento do vírus e isso reduziu a taxa de mortalidade. "Há boas notícias de que esses números são bem menores do que seriam em março ou abril", disse ela.

Jeremy Faust disse que o número de pessoas doentes com covid-19 mudou desde a primavera, com menos pacientes de asilos. Isso significa que uma proporção menor morre. "A concentração de casos está se movendo para uma população mais jovem e mais saudável, e é preciso mais casos para somar ao número surpreendente que vimos em abril", disse ele. "Mas está acontecendo."/NYT

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